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segunda-feira, 28 de julho de 2014
O homem que gostava de ipês amarelos
Tantas vezes escrevi aqui e sempre tinha uma frase, um pensamento, uma idéia: sua.
Tanto te admirei que sempre quis ao menos tentar pensar como você.
Fico orgulhosa em lembrar que foram frases suas que foram o meu pedágio para pequena aba pedagógica que existe em minha vida, e que eu amo tanto.
Ah, Rubem, você podia ter deixado uma obra imensa escondida no meio do seu jardim, de surpresa, pra gente se deliciar. Não? Me dói pensar que eu preciso ainda ler tanta coisa dele, e já li quase tudo. Agora me dou doses homeopáticas de Rubem Alves, por ter medo que se acabe minha poção de sabedoria.
Mas eu me vi feliz quando vi que você não ficou preso num corpo que não podia te servir mais. Que não ia mais poder te fazer ver os ipês amarelos. Fique alegre em ver que você se foi com a serenidade de ter vivido e ensinado plenamente.
Nesses dias reli tanta coisa sua. Tanta coisa que sempre me toca tanto... Como a história das pipocas:
"Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosas. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão - sofrimentos cujas causas ignoramos."
Quer coisa mais linda e simples que isso? Como você consegue colocar em texto aquilo que sempre pensei sozinha???
Lembro de uma postagem que fiz, sobre o fogo, que também citei você.
Nos dias mais tristes, procuro lembrar:
"Compreendi, então, que a vida não é uma sonata que, para realizar a sua beleza, tem de ser tocada até o fim. Dei-me conta, ao contrário,
de que a vida é um álbum de mini-sonatas. Cada momento de beleza vivido e amado, por efêmero que seja, é uma experiência completa
que está destinada à eternidade. Um único momento de beleza e amor justifica a vida inteira."
E percebi que vivi e tenho em memória momentos lindos e alegres, que justificam olhar sempre para as coisas com uma visão positiva e otimista. Acreditar que existe a mudança, que existe a esperança.
Procuro também me policiar na escutatória. Tenho muita tendência a falar. Pouco a ouvir...
"O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranqüila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: "Se eu fosse você". A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção (...) Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma." Daí a dificuldade: a gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. Certo estava Lichtenberg – citado por Murilo Mendes: "Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas." Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos..."
E como gosto muito de falar, tenho sempre o costume de escrever. Aqui, cartas. Ah, as cartas:
"A diferença entre a carta e o telefone é simples. O telefone é impositivo. A conversa tem de acontecer naquele momento. Falta-lhe o ingrediente essencial da palavra que é dita sem esperar resposta. E, uma vez terminado, os dois amantes estão de mãos vazias.
Mas a mulher tem nas mãos uma carta. A carta é um objeto. Se não tivesse podido recolher-se à sua solidão, ela poderia tê-la guardado no bolso, na deliciosa espera do momento oportuno. O telefonema não pode esperar. A carta é paciente. Guarda as suas palavras. E, depois de lida, poderá ser relida."
Tenho prestado mais atenção nas flores. Tem prestado mais atenção no céu. Nas árvores. Nas pessoas. Não é que eu não fizesse isso antes com certa admiração. Mas você me faz dar valor as coisas que vejo. Me faz ver Deus nesses mínimos detalhes. Me faz ver milagre em tudo.
"Não existe amor que resista a um corpo vazio de fantasias. Um corpo vazio de fantasias é um instrumento mudo, do qual não sai melodia alguma. Por isso, Nietzsche disse que só existe uma pergunta a ser feita quando se pretende casar: "continuarei a ter prazer em conversar com esta pessoa daqui a 30 anos? Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar."
A impressão que tenho é que eu poderia te ler por mais 30, 60 anos e sempre haveria de me encantar.
Lembrei também de uma frase: "Aquilo que está escrito no coraçao não necessita de agendas porque a gente não esquece. O que a memória ama fica eterno." E lembrei que realmente lembro demais das coisas. Memória por demais de afiada. Bom. As vezes ruim, não é bom lembrar de coisas ruins com tantos detalhes. Mas aqui me regozijo porque percebo que aquilo de mais importante sempre está aqui, comigo, perto.
Assim, você me ensinou muito também sobre o amor. "Amar é ter um pássaro pousado no dedo. Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar”. Talvez por isso minha teimosia em tentar. Em acreditar nele. Quando todo mundo diz pra não acreditar nele. Pensar num pássaro que voa e pode não voltar mais faz com que a gente valorize mais os momentos de proximidade com o pássaro...
Eu, que não sei definir o amor, penso sempre em suas definições. "Amor é isto: a dialética entre a alegria do encontro e a dor da separação. De alguma forma a gota de chuva aparecerá de novo, o vento permitirá que velejemos de novo, mar afora. Morte e ressurreição. Na dialética do amor, a própria dialética do divino. Quem não pode suportar a dor da separação, não está preparado para o amor. Porque o amor é algo que não se tem nunca. É evento de graça. Aparece quando quer, e só nos resta ficar à espera. E quando ele volta,a alegria volta com ele. E sentimos então que valeu a pena suportar a dor da ausência, pela alegria do reencontro."
Se tem uma frase sua, que pra mim resume tudo o que você é, é essa: "As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor.
Aprendemos palavras para melhorar os olhos." Você sempre melhorou meus olhos. Me ensinou profissional, pessoal e, sobretudo, mente. Até minha religião se tornou mais clara com seus pensamentos. Em dias que a gente vê tanta coisa escrita: livros, internet. Fala-se e escreve-se sobre o que se quer. Torna-se um oásis as palavras que são para ajudar a ver o mundo melhor. As suas palavras são assim. Todas! Melhoram os olhos. E a maior beleza de tudo isso é que essas palavras, sua obra, torna você eterno. De um certo modo, você está sempre por aqui!
Ah Rubem Alves, você é assim. Das leituras, das vezes que te vi de perto. Dá sempre vontade de falar: Fica mais um pouco, fala um pouco mais. É gostoso te ouvir...
E pra encerrar, uma historinha simples, que resume o que é: "Quero contar para vocês a estória que mais tenho contado - não aconteceu nunca, acontece sempre. Um homem muito rico, ao morrer, deixou suas terras para os seus filhos. Todos eles receberam terras férteis e belas, com a exceção do mais novo, para quem sobrou um charco inútil para a agricultura. Seus amigos se entristeceram com isso e o visitaram, lamentando a injustiça que lhe havia sido feita. Mas ele só lhes disse uma coisa: "Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá." No ano seguinte, uma seca terrível se abateu sobre o país, e as terras dos seus irmãos foram devastadas: as fontes secaram, os pastos ficaram esturricados, o gado morreu. Mas o charco do irmão mais novo se transformou num oásis fértil e belo. Ele ficou rico e comprou um lindo cavalo branco por um preço altíssimo. Seus amigos organizaram uma festa porque coisa tão maravilhosa lhe tinha acontecido. Mas dele só ouviram uma coisa: "Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá." No dia seguinte seu cavalo de raça fugiu e foi grande a tristeza. Seus amigos vieram e lamentaram o acontecido. Mas o que o homem lhes disse foi: "Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá." Passados sete dias o cavalo voltou trazendo consigo dez lindos cavalos selvagens. Vieram os amigos para celebrar esta nova riqueza, mas o que ouviram foram as palavras de sempre: "Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá." No dia seguinte o seu filho, sem juízo, montou um cavalo selvagem. O cavalo corcoveou e o lançou longe. O moço quebrou uma perna. Voltaram os amigos para lamentar a desgraça. "Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá", o pai repetiu. Passados poucos dias vieram os soldados do rei para levar os jovens para a guerra. Todos os moços tiveram de partir, menos o seu filho de perna quebrada. Os amigos se alegraram e vieram festejar. O pai viu tudo e só disse uma coisa: "Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá..." Assim termina a estória, sem um fim, com reticências... Ela poderá ser continuada, indefinidamente. E ao contá-la é como se contasse a estória de minha vida. Tanto os meus fracassos quanto as minhas vitórias duraram pouco. Não há nenhuma vitória profissional ou amorosa que garanta que a vida finalmente se arranjou e nenhuma derrota que seja uma condenação final. As vitórias se desfazem como castelos de areia atingidos pelas ondas, e as derrotas se transformam em momentos que prenunciam um começo novo. Enquanto a morte não nos tocar, pois só ela é definitiva, a sabedoria nos diz que vivemos sempre à mercê do imprevisível dos acidentes. "Se é bom ou se é mau, sé o futuro dirá."
Outras postagens minhas com ele:
Perguntas e Respostas
O que amo
Com quem você quer envelhecer
Livros
Presépio
domingo, 22 de dezembro de 2013
O presépio
"Menino, lá em Minas, eu tinha inveja dos católicos. Eu era protestante sem saber o que fosse isso. Sabia que, pelo Natal, a gente armava árvores com flocos de algodão imitando neve que não sabíamos o que fosse. Já os católicos faziam presépios. Os pinheiros eram bonitos mas não me comoviam como o presépio: uma estrela no céu, uma cabaninha na terra coberta de sapé, Maria, José, os pastores, ovelhas, vacas, burros, misturados com reis e anjos numa mansa tranquilidade, os campos iluminados com a glória de Deus, milhares de vagalumes acendendo e apagando suas luzes, tudo por causa de uma criancinha. A contemplação de uma criancinha amansa o universo. O Natal anuncia que o universo é o berço de uma criança.
Até os católicos mais humildes faziam um presépio. As despidas salas de visita se transformavam em lugares sagrados. As casas ficavam abertas para quem quisesse se juntar aos reis, pastores e bichos. E nós, meninos, pés descalços, peregrinávamos de casa em casa para ver a mesma cena repetida e beijar a fita.
Nós fazíamos nossos próprios presépios. Os preparativos começavam bem antes do Natal. Enchíamos latas vazias de goiabada com areia, e nelas semeávamos alpiste ou arroz. Logo os brotos verdes começavam a aparecer. O cenário do nascimento do Menino Jesus tinha de ser verdejante. Sobre os brotos verdes espalhávamos bichinhos de celulóide. Naquele tempo ainda não havia plástico. Tigres, leões, bois, vacas, macacos, elefantes, girafas. Sem saber, estávamos representando o sonho do profeta que anunciava o dia em que os leões haveriam de comer capim junto com os bois e as crianças haveriam de brincar com as serpentes venenosas. A estrebaria, nós mesmos a fazíamos com bambus. E as figuras que faltavam nós as completávamos artesanalmente com bonequinhos de argila. Tinha também de haver um laguinho onde nadavam patos e cisnes, que se fazia com um pedaço de espelho quebrado. Não importava que os patos fossem maiores que os elefantes. No mundo mágico tudo é possível. Era uma cena “naif”. Um presépio verdadeiro tem de ser infantil.
E as figuras mais desproporcionais nessa cena tranqüila éramos nós mesmos. Porque, se construímos o presépio, era porque nós mesmos gostaríamos de estar dentro da cena. Não era possível estar dentro da árvore de Natal... Éramos adoradores do Menino, juntamente com os bichos, as estrelas, os reis e os pastores.
Será que essa história aconteceu de verdade? Foi daquele jeito descrito pelas Escrituras Sagradas? As crianças sabem que isso é irrelevante. Elas ouvem a história e a história acontece de novo. Não querem explicações. Não querem interpretações. A beleza da estória lhes basta. O belo é verdadeiro. Os teólogos que fiquem longe do presépio. Suas interpretações complicam o mundo.
A saudade nos enche a alma. O presépio nos faz querer “voltar para lá, para aquele lugar onde as coisas são sempre assim, banhadas por uma luz antiquíssima e ao mesmo tempo acabada de nascer. Nós também somos de lá. Estamos encantados. Adivinhamos que o nosso mundo é um outro...” (Octávio Paz)"
(O presépio - Rubem Alves)
Quando penso em Natal, não consigo não pensar em família. Não consigo não resgatar minhas memórias de criança, do tempo em que o Natal demorava tanto pra chegar e que era uma festa carregada de magia.
Hoje o Natal chega rapidinho. Tão rapidinho que no dia 24, a tarde, eu ainda não sei que roupa vou vestir ou o que eu deixei de fazer no trabalho.
Ser adulto tira um pouco a imagem mágica da festa tão linda que minha mãe me ensinou a cultivar. Lembrar que o menino Salvador nasceu e comemorar que temos uma família e bençãos devida a graça d´Ele.
O que mais me tocou no texto do lindo do Rubem Alves, foi o sentimento de admiração que hoje sinto longe das pessoas em geral.
Lembro que na casa da minha bisavó tinha todo ano um presépio lindo. E eu achava mesmo que era sagrado. Minha irmã e eu ficávamos paradas, olhando, admirando os boizinhos, as vaquinhas, os reis, as terrinhas feita de pó de serra, e o laguinho que na verdade era um pedaço de espelho.
Teve um ano que eu levei um boizinho embora pra minha casa. Remorso. Roubei uma coisa sagrada. Pedi mil perdões pra Deus, achava que eu ia diretinho pro inferno, e só ia poder devolver o boizinho no ano que vem, no próximo presépio. Que saudade me deu lembrar disso...
Lembrei também da minha tia de criação que montava o presépio. A Maria. Irmã postiça do meu avô... Negra sofrida, que mais parecia uma menina. Era ela a responsável por montar todo ano aquela coisa sagrada.
E hoje, pela primeira vez, em muito tempo, lembrei dela com tanta saudade, com a admiração, com dó. Era uma menina no corpo de uma senhora sofrida. Não teve muitas bonecas, muitos brinquedos... Quando cresceu, não teve muitos namorados. Vivia pra cuidar da minha bisavó. Mas lembro que no "Natar", como ela falava, montar o presépio era um presente pra ela.
Que saudade dela. Do presépio. Do sentimento de ser criança. De valorizar essas pequenas coisas que hoje passo tão batido.
Saudade de admirar e esperar a montagem da árvore de Natal. Minha mãe cada ano monta uma mais bonita. E eu muitas vezes não percebo a beleza disso.
Talvez isso tudo seja causado pela falta de crianças em casa. As crianças iluminam os ambientes e fazem com que os adultos aprendam a ser um pouco mais infantis - e felizes - do que o normal.
Enfim, esta mensagem de Natal ficou mais triste do que eu esperava e queria.
Que na verdade, fique pra cada um a mensagem de se amar um ao outro, e cuidar e valorizar a família. Agradecer ao Deus que nos salvou e nos dá a cada dia um sentido pra viver.
Feliz Natal pra todos!
Até os católicos mais humildes faziam um presépio. As despidas salas de visita se transformavam em lugares sagrados. As casas ficavam abertas para quem quisesse se juntar aos reis, pastores e bichos. E nós, meninos, pés descalços, peregrinávamos de casa em casa para ver a mesma cena repetida e beijar a fita.
Nós fazíamos nossos próprios presépios. Os preparativos começavam bem antes do Natal. Enchíamos latas vazias de goiabada com areia, e nelas semeávamos alpiste ou arroz. Logo os brotos verdes começavam a aparecer. O cenário do nascimento do Menino Jesus tinha de ser verdejante. Sobre os brotos verdes espalhávamos bichinhos de celulóide. Naquele tempo ainda não havia plástico. Tigres, leões, bois, vacas, macacos, elefantes, girafas. Sem saber, estávamos representando o sonho do profeta que anunciava o dia em que os leões haveriam de comer capim junto com os bois e as crianças haveriam de brincar com as serpentes venenosas. A estrebaria, nós mesmos a fazíamos com bambus. E as figuras que faltavam nós as completávamos artesanalmente com bonequinhos de argila. Tinha também de haver um laguinho onde nadavam patos e cisnes, que se fazia com um pedaço de espelho quebrado. Não importava que os patos fossem maiores que os elefantes. No mundo mágico tudo é possível. Era uma cena “naif”. Um presépio verdadeiro tem de ser infantil.
E as figuras mais desproporcionais nessa cena tranqüila éramos nós mesmos. Porque, se construímos o presépio, era porque nós mesmos gostaríamos de estar dentro da cena. Não era possível estar dentro da árvore de Natal... Éramos adoradores do Menino, juntamente com os bichos, as estrelas, os reis e os pastores.
Será que essa história aconteceu de verdade? Foi daquele jeito descrito pelas Escrituras Sagradas? As crianças sabem que isso é irrelevante. Elas ouvem a história e a história acontece de novo. Não querem explicações. Não querem interpretações. A beleza da estória lhes basta. O belo é verdadeiro. Os teólogos que fiquem longe do presépio. Suas interpretações complicam o mundo.
A saudade nos enche a alma. O presépio nos faz querer “voltar para lá, para aquele lugar onde as coisas são sempre assim, banhadas por uma luz antiquíssima e ao mesmo tempo acabada de nascer. Nós também somos de lá. Estamos encantados. Adivinhamos que o nosso mundo é um outro...” (Octávio Paz)"
(O presépio - Rubem Alves)
Quando penso em Natal, não consigo não pensar em família. Não consigo não resgatar minhas memórias de criança, do tempo em que o Natal demorava tanto pra chegar e que era uma festa carregada de magia.
Hoje o Natal chega rapidinho. Tão rapidinho que no dia 24, a tarde, eu ainda não sei que roupa vou vestir ou o que eu deixei de fazer no trabalho.
Ser adulto tira um pouco a imagem mágica da festa tão linda que minha mãe me ensinou a cultivar. Lembrar que o menino Salvador nasceu e comemorar que temos uma família e bençãos devida a graça d´Ele.
O que mais me tocou no texto do lindo do Rubem Alves, foi o sentimento de admiração que hoje sinto longe das pessoas em geral.
Lembro que na casa da minha bisavó tinha todo ano um presépio lindo. E eu achava mesmo que era sagrado. Minha irmã e eu ficávamos paradas, olhando, admirando os boizinhos, as vaquinhas, os reis, as terrinhas feita de pó de serra, e o laguinho que na verdade era um pedaço de espelho.
Teve um ano que eu levei um boizinho embora pra minha casa. Remorso. Roubei uma coisa sagrada. Pedi mil perdões pra Deus, achava que eu ia diretinho pro inferno, e só ia poder devolver o boizinho no ano que vem, no próximo presépio. Que saudade me deu lembrar disso...
Lembrei também da minha tia de criação que montava o presépio. A Maria. Irmã postiça do meu avô... Negra sofrida, que mais parecia uma menina. Era ela a responsável por montar todo ano aquela coisa sagrada.
E hoje, pela primeira vez, em muito tempo, lembrei dela com tanta saudade, com a admiração, com dó. Era uma menina no corpo de uma senhora sofrida. Não teve muitas bonecas, muitos brinquedos... Quando cresceu, não teve muitos namorados. Vivia pra cuidar da minha bisavó. Mas lembro que no "Natar", como ela falava, montar o presépio era um presente pra ela.
Que saudade dela. Do presépio. Do sentimento de ser criança. De valorizar essas pequenas coisas que hoje passo tão batido.
Saudade de admirar e esperar a montagem da árvore de Natal. Minha mãe cada ano monta uma mais bonita. E eu muitas vezes não percebo a beleza disso.
Talvez isso tudo seja causado pela falta de crianças em casa. As crianças iluminam os ambientes e fazem com que os adultos aprendam a ser um pouco mais infantis - e felizes - do que o normal.
Enfim, esta mensagem de Natal ficou mais triste do que eu esperava e queria.
Que na verdade, fique pra cada um a mensagem de se amar um ao outro, e cuidar e valorizar a família. Agradecer ao Deus que nos salvou e nos dá a cada dia um sentido pra viver.
Feliz Natal pra todos!
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Livros...
"Havia uma coleção de livros que eu cobiçava: "O tesouro da juventude". Quem tinha "O tesouro da juventude" era a dona Lilisa, aquela que ganhou 250 gramas de açucar. Quando a visitávamos, eu deixava os adultos conversando na sala de visitas e ia ler "O tesouro". Era um tipo de enciclopédia onde se encontrava de tudo. Um bufê de prazeres. Em qualquer página que se abrisse lá se encontrava um assombro. Mas era muito caro. Meu pai não podia. Nunca tive "O tesouro". Como nunca tive nem velocípede nem bicicleta. Até hoje não sei andar de bicicleta. Quem sabe, diz: "É só montar e sair pedalando". Eu sei fazer isso. De qualquer forma, andar de bicicleta para mim é como montar um cavalo bravo. Nunca sei que idéias ela tem, nunca sei o que ela vai fazer comigo. Agora é tarde demais pra aprender. Não posso tomar o risco de quebrar a bacia... Mas se eu encontrar um "O tesouro da juventude" num sebo eu compro, embora tudo o que está lá deva estar ultrapassado. Compro para realizar um desejo infantil. Mas, se encontrar uma bicicleta, eu não compro." (Rubem Alves)
Assim que li este texto, lembrei de mim, pequenininha, indo na casa da vó Diva. Lá tinha uma estantinha de livros que era meu paraíso. Eu largava os adultos na sala, e ia me sentar encostada na estante vendo quais livros eu ia ler.
A vó Diva até separou alguns que eu podia estragar, escrever, desenhar... Mas era uma enciclopédia velha, que ensinava tudo errado, segundo ela. A Barsa eu não podia estragar não. Era pra usar pra trabalho da escola.
Aprendi a gostar de ler com gibis e com os livros lindos e encantados que a vó Inge me dava e com a vó Amália que me ensinou a ler, de tanto que eu enchia a paciência dela pra ler as coisas pra mim... Minhas avós tem toda a culpa de eu ser apaixonada por livros...
Mas voltando à estante da Vó Diva, eu me deliciava mesmo era nos livros de história.
Chorei como louca no "Meu pé de laranja lima", do José Mauro de Vasconcelos. Aliás, nunca entendi porquê ninguém conhecia muito este autor. Tão bom... "Coração de Vidro", "O palácio Japonês", "Rosinha, minha canoa"... Tão lindos...
E tinha a coleção Ediouro... "Juca Mulato", poesias de Manuel Bandeira... Eu gostava mesmo era do livro de poesias do Guilherme de Almeida... Cheguei a decorar:
E "A Moreninha"? Meu primeiro romance... Ai que delícia ler aquele livro. Que dor que me dá saber que nunca mais vou ler este livro com tanta ansiedade e sem saber o final... Aquela sensação que senti da primeira vez que li foi a coisa mais linda que me lembro da época de leitura. Parecida com a que senti quando li "Senhora", do meu adorado José de Alencar. E a coleção do Machado de Assis? Era meu sonho. Acabei ganhando a coleção do Jorge Amado, quando a vó diva morreu. Mas eu não gosto de Jorge Amado. Só guardo por que era da vó.
A maioria dos livros eu lia ali, sentadinha no chão mesmo. Quando cresci um pouquinho a vó Diva deixava eu levar pra casa. Um de cada vez, pra eu não perder. Era tipo uma biblioteca.
O que eu sempre quis e nunca pude ter era a coleção inteira do Monteiro Lobato. Era muito cara. Minha mãe não podia me dar. Mas a vó Amália resolveu rapidinho: me ensinou o caminho do paraíso: Biblioteca!
Eu passava toda semana na biblioteca, pegar alguns livrinhos novos pra semana. Nunca concordei com o prazo de dez dias, e com a quantidade: 3 de cada vez? Nãaaaaooo!
Eu achava tanto livro que queria ler. 3 era muito pouco!
Entre idas e vindas, lá descobri o Marcos Rey. Que animal era ler: "O rapto do garoto de ouro", "Um cadáver ouve rádio", "O Mistério do Cinco Estrelas", "Enigma na televisão", "Um rosto no computador", "O diabo no porta-malas"...
Eu poderia ficar falando dos livros da juventude o dia inteiro. Que delícia!
E vocês do que lembram mais de terem lido e gostado quando eram crianças?
Assim que li este texto, lembrei de mim, pequenininha, indo na casa da vó Diva. Lá tinha uma estantinha de livros que era meu paraíso. Eu largava os adultos na sala, e ia me sentar encostada na estante vendo quais livros eu ia ler.
A vó Diva até separou alguns que eu podia estragar, escrever, desenhar... Mas era uma enciclopédia velha, que ensinava tudo errado, segundo ela. A Barsa eu não podia estragar não. Era pra usar pra trabalho da escola.
Aprendi a gostar de ler com gibis e com os livros lindos e encantados que a vó Inge me dava e com a vó Amália que me ensinou a ler, de tanto que eu enchia a paciência dela pra ler as coisas pra mim... Minhas avós tem toda a culpa de eu ser apaixonada por livros...
Mas voltando à estante da Vó Diva, eu me deliciava mesmo era nos livros de história.
Chorei como louca no "Meu pé de laranja lima", do José Mauro de Vasconcelos. Aliás, nunca entendi porquê ninguém conhecia muito este autor. Tão bom... "Coração de Vidro", "O palácio Japonês", "Rosinha, minha canoa"... Tão lindos...
E tinha a coleção Ediouro... "Juca Mulato", poesias de Manuel Bandeira... Eu gostava mesmo era do livro de poesias do Guilherme de Almeida... Cheguei a decorar:
E "A Moreninha"? Meu primeiro romance... Ai que delícia ler aquele livro. Que dor que me dá saber que nunca mais vou ler este livro com tanta ansiedade e sem saber o final... Aquela sensação que senti da primeira vez que li foi a coisa mais linda que me lembro da época de leitura. Parecida com a que senti quando li "Senhora", do meu adorado José de Alencar. E a coleção do Machado de Assis? Era meu sonho. Acabei ganhando a coleção do Jorge Amado, quando a vó diva morreu. Mas eu não gosto de Jorge Amado. Só guardo por que era da vó.
A maioria dos livros eu lia ali, sentadinha no chão mesmo. Quando cresci um pouquinho a vó Diva deixava eu levar pra casa. Um de cada vez, pra eu não perder. Era tipo uma biblioteca.
O que eu sempre quis e nunca pude ter era a coleção inteira do Monteiro Lobato. Era muito cara. Minha mãe não podia me dar. Mas a vó Amália resolveu rapidinho: me ensinou o caminho do paraíso: Biblioteca!
Eu passava toda semana na biblioteca, pegar alguns livrinhos novos pra semana. Nunca concordei com o prazo de dez dias, e com a quantidade: 3 de cada vez? Nãaaaaooo!
Eu achava tanto livro que queria ler. 3 era muito pouco!
Entre idas e vindas, lá descobri o Marcos Rey. Que animal era ler: "O rapto do garoto de ouro", "Um cadáver ouve rádio", "O Mistério do Cinco Estrelas", "Enigma na televisão", "Um rosto no computador", "O diabo no porta-malas"...
Eu poderia ficar falando dos livros da juventude o dia inteiro. Que delícia!
E vocês do que lembram mais de terem lido e gostado quando eram crianças?
domingo, 15 de setembro de 2013
Longe
Longe...
Quando você fica mais longe de tudo, você muda o seu ângulo de visão de tudo.
Quando este distanciamento é involuntário, você reflete também o que isso pode trazer de crescimento ou simplesmente de acréscimo pra sua vida.
E traz.
Se você consegue aproveitar esta situação ou ao menos se dispor a aprender com ela, sem se preocupar em entender tantos porquês: de estar longe, de ter que ir, de querer voltar, de precisar voltar, de não poder voltar... Se você apenas se der a oportunidade de abstrair de tudo e tentar se render ao que ficou diante de você, quem sabe esta situação pode te surpreender:
“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.” (Clarice Lispector)
Ficar sozinho, conversar consigo mesmo. Ser sua melhor companhia. Se irritar consigo mesmo. Sentir saudade. Querer estar perto daquilo que é o que se entende seu. Ter medo da distância. Ter medo de possíveis mudanças. Ter medo de que o tempo longe mude o que era antes, quando você enfim retorna ao que era seu.
E o que era seu realmente? Como saber se o que você deixa por alguns momentos, e pensa que é seu, é de fato seu? Sempre que penso nisso lembro dessa frase:
"Amo a liberdade, por isso as coisas que amo deixo-as livres. Se voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as tive." (Bob Marley)
E é a pura verdade. Adiantaria cuidar de perto da menina dos seus olhos, se ela estivesse destinada a ser a menina dos olhos de outra pessoa? Adiantaria não se ausentar do seu posto por medo de perder espaço, se o seu posto não fosse efetivamente e seu e se a você estivesse algum posto muito melhor a espera?
As pessoas pensam que podem controlar as coisas. Podem induzir acontecimentos, prever futuros. E isso é ilusão. Podem ao máximo lutar pelo que querem, demonstrarem real interesse, cuidar perto ou longe. Mas o que de fato tem que ser acontece, querendo ou não.
E lidar com isso é o grande desafio da vida. Saber aceitar perdas, saber lidar com derrotas. Saber se adaptar com mudanças repentinas, ou com coisas que acontecem diferentes do que tínhamos pensado.
É a transitoriedade das coisas.
“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” (Fernando Teixeira de Andrade)
As travessias nos trazem surpresas. Podemos transitar por distâncias muito longas e chegarmos de volta ao mesmo lugar. O retorno pode ser ao mesmo lugar, mas com boas diferenças. Ou péssimas mudanças. O retorno pode trazer a dádiva do reconhecimento: as vezes, só damos valor às coisas quando ficamos sem elas... e a chance de recuperar algo perdido pode dar outro sentimento e ação ao que importa, no momento da volta.
O retorno pode também não acontecer. Pode ser que se vá à direção oposta. Ao novo. Ao que nunca se viu. Ao que se viu e não se queria. As coisas normalmente saem do controle.
Coragem mesmo é gostar de mudanças: "As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem." (Chico Buarque)
Saber conviver já pode ser um começo. Mas, confesso: Voltar pro que tanto se gosta é uma das coisas mais deliciosas do mundo.
Bom fim de semana pra todos
Quando você fica mais longe de tudo, você muda o seu ângulo de visão de tudo.
Quando este distanciamento é involuntário, você reflete também o que isso pode trazer de crescimento ou simplesmente de acréscimo pra sua vida.
E traz.
Se você consegue aproveitar esta situação ou ao menos se dispor a aprender com ela, sem se preocupar em entender tantos porquês: de estar longe, de ter que ir, de querer voltar, de precisar voltar, de não poder voltar... Se você apenas se der a oportunidade de abstrair de tudo e tentar se render ao que ficou diante de você, quem sabe esta situação pode te surpreender:
“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.” (Clarice Lispector)
Ficar sozinho, conversar consigo mesmo. Ser sua melhor companhia. Se irritar consigo mesmo. Sentir saudade. Querer estar perto daquilo que é o que se entende seu. Ter medo da distância. Ter medo de possíveis mudanças. Ter medo de que o tempo longe mude o que era antes, quando você enfim retorna ao que era seu.
E o que era seu realmente? Como saber se o que você deixa por alguns momentos, e pensa que é seu, é de fato seu? Sempre que penso nisso lembro dessa frase:
"Amo a liberdade, por isso as coisas que amo deixo-as livres. Se voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as tive." (Bob Marley)
E é a pura verdade. Adiantaria cuidar de perto da menina dos seus olhos, se ela estivesse destinada a ser a menina dos olhos de outra pessoa? Adiantaria não se ausentar do seu posto por medo de perder espaço, se o seu posto não fosse efetivamente e seu e se a você estivesse algum posto muito melhor a espera?
As pessoas pensam que podem controlar as coisas. Podem induzir acontecimentos, prever futuros. E isso é ilusão. Podem ao máximo lutar pelo que querem, demonstrarem real interesse, cuidar perto ou longe. Mas o que de fato tem que ser acontece, querendo ou não.
E lidar com isso é o grande desafio da vida. Saber aceitar perdas, saber lidar com derrotas. Saber se adaptar com mudanças repentinas, ou com coisas que acontecem diferentes do que tínhamos pensado.
É a transitoriedade das coisas.
“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” (Fernando Teixeira de Andrade)
As travessias nos trazem surpresas. Podemos transitar por distâncias muito longas e chegarmos de volta ao mesmo lugar. O retorno pode ser ao mesmo lugar, mas com boas diferenças. Ou péssimas mudanças. O retorno pode trazer a dádiva do reconhecimento: as vezes, só damos valor às coisas quando ficamos sem elas... e a chance de recuperar algo perdido pode dar outro sentimento e ação ao que importa, no momento da volta.
O retorno pode também não acontecer. Pode ser que se vá à direção oposta. Ao novo. Ao que nunca se viu. Ao que se viu e não se queria. As coisas normalmente saem do controle.
Coragem mesmo é gostar de mudanças: "As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem." (Chico Buarque)
Saber conviver já pode ser um começo. Mas, confesso: Voltar pro que tanto se gosta é uma das coisas mais deliciosas do mundo.
Bom fim de semana pra todos
terça-feira, 9 de julho de 2013
Com quem você quer envelhecer?
Eu nunca tinha pensado nisso. Com quem eu quero envelhecer? Mas alguém me perguntou isso e eu não soube responder na hora. Mas fiquei incomodada pensando tanto nisso.
E quis, tentar, saber responder isso.
Primeiro, pensei no que seria envelhecer. Sim, ficar velho. Mas o que mais? Ter uma menor mobilidade, ter menos disposição, ter mais tempo, ter mais doenças talvez, ter mais sabedoria, ter menos paciência, ter uma aparência pior do que a de hoje talvez? Ver a morte se aproximar e levar pessoas queridas.
Envelhecer é todo um processo. E ter alguém do meu lado nisso é o que eu mais desejo no mundo. Alguém pra cuidar de mim. Alguém pra eu cuidar. Alguém pra eu ficar conversando nos momentos de ócio. Alguém pra me lembrar de ir no médico, tomar remédio. Alguém pra ver filmes comigo. Alguém pra viajar comigo. Alguém pra almoçar e jantar, quando os filhos já não tiverem mais em casa. Alguém pra estar toda noite me ajudando a esquentar.
Alguém que me ame, apesar das rugas novas. Alguém que lembre o quanto antes eu fui mais bonita, mas que ainda me olhe com o mesmo desejo, amor e cuidado.
Rubem Alves disse "Velhice é quando a gente começa a ser tratado como "objeto de respeito" e não como "objeto do desejo". Mas o que quero não é ser olhado com respeito, mas com desejo..." Quem eu quero pra estar comigo quando eu envelhecer é o meu companheiro de toda a vida, que me olhe sim com o mesmo respeito de sempre, mas que nunca perca o desejo de me amar e fazer feliz.
E como saber quem é a pessoa com quem eu quero envelhecer?
Posso não saber quem é, mas sei o que deve ou deveria ter.
Alguém que goste de coisas parecidas com as quais eu gosto. Alguém que tenha os mesmos defeitos. Alguém que possa ficar deitado sem fazer nada, só conversando, ou mostrando bobeiras no computador ou na TV.
Alguém que me admire. Não só fisicamente, mas alguém que eu saiba e sinta que tenha um certo orgulho ou prazer de me ver como eu sou. Aliás, alguém com quem eu possa me soltar e ser como sou. Alguém que eu tenha liberdade pra contar meus medos, chorar, ficar com o nariz vermelho e inchado e não me importar com isso.
Alguém que faça bem apenas com uma mensagem de bom dia, com uma ligação inesperada. Alguém que só por estar ao me lado me traga paz. Alguém que acelere meu coração quando está para vir, que me faça tremer com um simples beijo mas que me encha de paz. Complexo pensar na adrenalina que traz paz. Mas a pessoa que eu quero envelhecer terá isso.
Alguém que quando eu perco por um instante, perco a paz também. "É tão ruim, não tem sentido, prazer, não há nada", como diria Lobão.
Alguém que consiga me dar um golpe de alegria e estímulo quando eu estiver triste. Alguém que se preocupe com os meu problemas. Alguém que me ajude. Alguém que queira de verdade me ajudar.
Alguém que não esteja ocupado em me mudar. Alguém que me ame como eu sou. Cheia de defeitos. Alguém que me respeite.
Alguém que "conforte a minha dor com atenção", como diriam os Detonautas. Alguém quem seja meu esconderijo, meu refúgio, meu momento de prazer e calma.
Alguém que "quando o tempo fecha e o céu quer desabar, perto do limite difícil de aguentar... Aí eu volto pra casa e te peço pra ficar... Em silêncio, só ficar...", como cantaria Humberto Gessinger.
Alguém com quem eu possa falar absurdos, coisas sem lógica, "falar da cor dos temporais, do céu azul, das flores de abril, pensar além do bem e do mal, lembrar de coisas que ninguém viu", como diria MIlton Nascimento ou "contar meus pesadelos e até minhas coisas fúteis... Alguém que eu possa tirar a roupa e fazer o que eu quiser" como canta o Jota Quest.
Alguém que com um simples beijo ou um abraço, ou até mesmo um olhar, de longe, queime o meu coração. Alguém que não deixe os meus olhos mentirem, nem fugirem.
Alguém que se, não estiver perto, faça tanta falta, que aperte o peito, tire a fome e o sono. Mas que quando volte, faça bem.
Alguém que vire motivo e tema de todas as letras de músicas. Alguém que faça as melodias até doerem por dentro.
Alguém que as vezes leve embora meu juízo e me faça cometer algumas loucuras.
Alguém que quando está ao meu lado eu perceba o quanto é simples amar. Alguém que mereça este amor que eu nunca soube dar.
Alguém que eu ache lindo mesmo com todos os defeitos. Alguém que seja o mais atraente pra mim. E alguém que goste do meu nariz grande, da orelha torta e da minha monocova.
Alguém que me ache linda até chorando.
Alguém que me faça ter vontade de ter uma família, ter filhos, cuidar.
E como cantariam os Semisonics, alguém que quando eu souber quem seja, eu possa dizer com certeza que eu já sei quem é a pessoa que eu quero que me leve pra casa... E cantarei contente o refrão mais fofo do mundo: "I know who I want to take me home..."
E você, sabe responder de pronto, com quem você quer envelhecer?
sábado, 8 de junho de 2013
Breguices e peculiaridades
Minhas amigas ontem me disseram, espero que tenha sido um elogio, que sou louca e peculiar. Como o assunto era muito abrangente, foquei apenas no aspecto gosto musical neste post.
Claro que eu detesto pagode, sertanejo, funk, axé, forró e sou mais chegada no velho e bom rockzinho, num jazz, num blues e coisas deste tipo. Masssss
Tem algumas coisas que escapam ao controle... E delas que vou falar agora...
Fábio Jr.
Com certeza foi influencia da minha mãe, mas o fato é que eu amo :)
A música acima, O que é que há? é linda e uma das minhas preferidas dele.
Além dele ser um gato, tem um jeitinho de cantar só dele, uma carinha de coitadinho misturado com safadeza, que deve deixar a maioria das mulheres com vontade de cuidar...
"Telefona! Não deixa que eu fuja... Me ocupa os espaços vazios... Me arranca desta ansiedade..." Não é fofo?
E esta:
Pareço um menino acho que é a favorita deste momento. "Você tem a luz que ilumina o nosso caminho. Depois de você descobri que não sou mais sozinho. Você é o amor que a vida me deu de presente. Sou homem maduro, mas na sua frente, pareço um menino. Você me abraça e a tristeza vai embora. A dor que existe fica da porta pra fora. A gente briga, mas é coisa que acontece, logo o coração esquece, porque a gente se adora..."
Perfeita na voz dele né? A carinha dele... Delícia de cantar, ouvir, pensar, ficar triste, e melhorar, pensando, meu Deus afff que coisa deprimente...
Amo tudo do Fábio, então nem vou colocar mais músicas dele, senão a breguice fica toda com ele...
Daniel
Lindo, fofo, bom caráter, simpático... Adoro também. É minha exceção sertaneja...
Vida minha é o cúmulo da breguice, da dor de corno. Até as moças dançando no fundo fazem o climax da coisa piegas. Mas eu gosto. Ai Jesus amado, descendo até o fundo do poço. "Olha, lá vem o sol, Vai chegar novo dia, Lá vou eu inventar esperanças de novo..."
Voz tão linda dele, né?
Só seu amor não vai embora talvez ganhe o prêmio da top lamentação. Mas é gostosinha de ouvir e cantar. E aí com o adicional do Rick e Renner que ferra de vez com qualquer bom gosto. Vergonha alheia de mim kkk "Tentei me iludir achando que podia... Esquecer você da noite pro dia... Eu não consegui tá pior agora... Ah! Ah! Só seu amor, Só seu amor não vai embora". Destaque pro Ah! Ah!
Wando
Quando se fala em coisa brega, não tem como deixar o Wando de fora. Não gosto muito dele não, aliás, que Deus o tenha... Mas falar que nunca ninguém se empolgou com o Iá iá meu iô iô, é uma mentira deslavada... Então, tem que aparecer aqui na minha lista...
"Você é luz É raio estrela e luar. Manhã de sol, Meu iaiá, meu ioiô. Você é "sim", E nunca meu "não" "
Fagner
Outro que não é favorito, mas que me encanta no tour brega é o Fagner. Mais feio do que tudo, canta com sotaque, nem faz cara bonitinha, mas num momento trash, tá no repertório...
Deslizes é fogo... "E como prêmio, Eu recebo o teu abraço. Subornando o meu desejo Tão antigo. E fecho os olhos Para todos os teus passos, Me enganando, Só assim somos amigos... Por quantas vezes, Me dá raiva de querer... Em concordar com tudo Que você me faz. Já fiz de tudo Prá tentar te esquecer, Falta coragem prá dizer Que nunca mais..."
Brega, Brega, Brega... Cult de tão brega...
Teria alguns mais... Mas já tá boa a coletânea...
Às vezes sou brega. Canto junto e tudo mais. Mas juro, são só essas, no mais, meu gosto musical é mais legal!
E as suas top bregas, quais são???
Claro que eu detesto pagode, sertanejo, funk, axé, forró e sou mais chegada no velho e bom rockzinho, num jazz, num blues e coisas deste tipo. Masssss
Tem algumas coisas que escapam ao controle... E delas que vou falar agora...
Fábio Jr.
Com certeza foi influencia da minha mãe, mas o fato é que eu amo :)
A música acima, O que é que há? é linda e uma das minhas preferidas dele.
Além dele ser um gato, tem um jeitinho de cantar só dele, uma carinha de coitadinho misturado com safadeza, que deve deixar a maioria das mulheres com vontade de cuidar...
"Telefona! Não deixa que eu fuja... Me ocupa os espaços vazios... Me arranca desta ansiedade..." Não é fofo?
E esta:
Pareço um menino acho que é a favorita deste momento. "Você tem a luz que ilumina o nosso caminho. Depois de você descobri que não sou mais sozinho. Você é o amor que a vida me deu de presente. Sou homem maduro, mas na sua frente, pareço um menino. Você me abraça e a tristeza vai embora. A dor que existe fica da porta pra fora. A gente briga, mas é coisa que acontece, logo o coração esquece, porque a gente se adora..."
Perfeita na voz dele né? A carinha dele... Delícia de cantar, ouvir, pensar, ficar triste, e melhorar, pensando, meu Deus afff que coisa deprimente...
Amo tudo do Fábio, então nem vou colocar mais músicas dele, senão a breguice fica toda com ele...
Daniel
Lindo, fofo, bom caráter, simpático... Adoro também. É minha exceção sertaneja...
Vida minha é o cúmulo da breguice, da dor de corno. Até as moças dançando no fundo fazem o climax da coisa piegas. Mas eu gosto. Ai Jesus amado, descendo até o fundo do poço. "Olha, lá vem o sol, Vai chegar novo dia, Lá vou eu inventar esperanças de novo..."
Voz tão linda dele, né?
Só seu amor não vai embora talvez ganhe o prêmio da top lamentação. Mas é gostosinha de ouvir e cantar. E aí com o adicional do Rick e Renner que ferra de vez com qualquer bom gosto. Vergonha alheia de mim kkk "Tentei me iludir achando que podia... Esquecer você da noite pro dia... Eu não consegui tá pior agora... Ah! Ah! Só seu amor, Só seu amor não vai embora". Destaque pro Ah! Ah!
Wando
Quando se fala em coisa brega, não tem como deixar o Wando de fora. Não gosto muito dele não, aliás, que Deus o tenha... Mas falar que nunca ninguém se empolgou com o Iá iá meu iô iô, é uma mentira deslavada... Então, tem que aparecer aqui na minha lista...
"Você é luz É raio estrela e luar. Manhã de sol, Meu iaiá, meu ioiô. Você é "sim", E nunca meu "não" "
Fagner
Outro que não é favorito, mas que me encanta no tour brega é o Fagner. Mais feio do que tudo, canta com sotaque, nem faz cara bonitinha, mas num momento trash, tá no repertório...
Deslizes é fogo... "E como prêmio, Eu recebo o teu abraço. Subornando o meu desejo Tão antigo. E fecho os olhos Para todos os teus passos, Me enganando, Só assim somos amigos... Por quantas vezes, Me dá raiva de querer... Em concordar com tudo Que você me faz. Já fiz de tudo Prá tentar te esquecer, Falta coragem prá dizer Que nunca mais..."
Brega, Brega, Brega... Cult de tão brega...
Teria alguns mais... Mas já tá boa a coletânea...
Às vezes sou brega. Canto junto e tudo mais. Mas juro, são só essas, no mais, meu gosto musical é mais legal!
E as suas top bregas, quais são???
terça-feira, 19 de março de 2013
Mais Rubem Alves
Não escondo minha paixão pelo escritor Rubem Alves. Lendo mais um de seus maravilhosos livros, vou copiar aqui uma crônica linda, que me emocionou muito e gostaria muito de saber o que vocês acharam...
Do livro "Ostra Feliz Não faz pérola":
O que amo?
Releio as confissões de Santo Agostinho. Ele pergunta: "O que é que amo quando amo o meu Deus?". Ele sabia que a simples afirmação "Eu amo o meu Deus " não significa coisa alguma. O amor exige um rosto. Imaginem que um apaixonado fizesse essa pergunta à sua amada: "Que é que eu amo quando amo você?". Ela responderia perplexa: "Então, não é a mim que você ama? Você ama uma outra coisa que aparece em mim?".
Esse é um segredo que nenhum amante sabe: ele não ama a pessoa amada. Ele ama algo misterioso que se mostra no seu corpo. A raposa olhava para os campos de trigo e sentia amor aos vê-los oscilando ao vento. Amava os campos de trigo porque eles a faziam lembrar do cabelo dourado do Pequeno Príncipe. A pessoa amada é apenas o lugar onde a aparição acontece. "O que amamos é sempre um símbolo", disse Hermann Hesse. "Símbolo" é algo que está no lugar da outra coisa.
O pão e o vinho eucarísticos marcam o lugar da ausência de Cristo. O símbolo, qualquer símbolo, sendo "uma outra coisa" que não a coisa amada, é sempre um lugar de saudade. "Por que tenho saudade de você , no retrato, ainda que o mais recente? E por que um simples retrato, mais que você, me comove, se você mesma está presente?" (Cassiano Ricardo)
Do livro "Ostra Feliz Não faz pérola":
O que amo?
Releio as confissões de Santo Agostinho. Ele pergunta: "O que é que amo quando amo o meu Deus?". Ele sabia que a simples afirmação "Eu amo o meu Deus " não significa coisa alguma. O amor exige um rosto. Imaginem que um apaixonado fizesse essa pergunta à sua amada: "Que é que eu amo quando amo você?". Ela responderia perplexa: "Então, não é a mim que você ama? Você ama uma outra coisa que aparece em mim?".
Esse é um segredo que nenhum amante sabe: ele não ama a pessoa amada. Ele ama algo misterioso que se mostra no seu corpo. A raposa olhava para os campos de trigo e sentia amor aos vê-los oscilando ao vento. Amava os campos de trigo porque eles a faziam lembrar do cabelo dourado do Pequeno Príncipe. A pessoa amada é apenas o lugar onde a aparição acontece. "O que amamos é sempre um símbolo", disse Hermann Hesse. "Símbolo" é algo que está no lugar da outra coisa.
O pão e o vinho eucarísticos marcam o lugar da ausência de Cristo. O símbolo, qualquer símbolo, sendo "uma outra coisa" que não a coisa amada, é sempre um lugar de saudade. "Por que tenho saudade de você , no retrato, ainda que o mais recente? E por que um simples retrato, mais que você, me comove, se você mesma está presente?" (Cassiano Ricardo)
domingo, 10 de março de 2013
Um último choro
Foi passando e percebi que foi tão repentina e do nada a morte do Chorão, que eu nem sequer reparei que gostava tanto do Charlie Brown e do quanto as músicas e a poesia dele fizeram parte da minha adolescência e como ainda hoje falavam tanto comigo.
Separei alguns trechos que sempre que ouço, me tocam e me fazem refletir...
A primeira que eu conheci:
"Eu me flagrei pensando em você
Em tudo que eu queria te dizer
Numa noite especialmente boa
Não há nada mais que a gente possa fazer" (Proibida pra mim)
Quantas vezes não me peguei nisso, pensando em alguém e em tudo que eu queria dizer. Pensando o óbvio mesmo: "Se não eu, quem vai fazer você feliz?". E em tantas épocas diferentes.
"Procurei me manter afastado
Mas você me conhece eu faço tudo errado, tudo errado" (Só por uma noite)
E conforme fui crescendo, anos passando, as letras foram tendo outros sentidos, como se um novo significado surgisse. Mesmo a tendo ouvido em tantos momentos diferentes...
"Eu não preciso de promessas e acho que você também
Eu não tento ser perfeito e acho que você também
Dias e noites, pensando no que fiz
Eu sou um vencedor, eu lutei pelo o que eu quis
Mas quando não se pode mais mudar tanta coisa errada
Vamos viver nossos sonhos, temos tão pouco tempo" (Como tudo deve ser)
Ele cantava muito a liberdade. O direito de ser como você é de verdade, se orgulhar disso. Mudar o errado, o mau. Mas ser como é. E como tudo deveria ser?
Ninguém precisa de promessas, de ses. As pessoas precisam ser, agir. Parece que não, mas na verdade temos todos, tão pouco tempo. E quando, "ouvindo um som e olhando o mar", se encontrar alguém que realmente seja como tudo deve ser, fazer valer a pena é um dever.
Claro, que não sou perfeita assim, mas amo me enxergar em cada verso da música e me sinto o máximo quando percebo que posso não ser tudo isso, mas sou forte, sou guerreira, mulher de verdade, cultuo bons livros e pra arrematar:
E claro, pra falar de todas as músicas que eu gosto, teria que "Te levar daqui"... Mas acho que dá pra terminar com uma mensagem linda. Que ultimamente, não me sai da cabeça:
"Um homem quando está em paz
Não quer guerra com ninguém
Eu segurei minhas lágrimas
Pois não queria demonstrar a emoção
Já que estava ali só pra observar
E aprender um pouco mais sobre a percepção
Eles dizem que é impossível encontrar o amor
Sem perder a razão
Mas pra quem tem pensamento forte
O impossível é só questão de opinião
E disso os loucos sabem" (Só os loucos sabem)
Aprendi que existem coisas que só os mais desapegados conseguem ver, sentimentos que só quem está de longe sente, que impossíveis são apenas ângulos de visão, pensamento forte não é tão horrível assim, e que não somos nada, nada mesmo, sem nossa família e sem nosso Deus, cuidando da gente de perto! E talvez para saber isso tudo, só beirando a loucura.
Valeu chorão.
Separei alguns trechos que sempre que ouço, me tocam e me fazem refletir...
A primeira que eu conheci:
"Eu me flagrei pensando em você
Em tudo que eu queria te dizer
Numa noite especialmente boa
Não há nada mais que a gente possa fazer" (Proibida pra mim)
Quantas vezes não me peguei nisso, pensando em alguém e em tudo que eu queria dizer. Pensando o óbvio mesmo: "Se não eu, quem vai fazer você feliz?". E em tantas épocas diferentes.
"Procurei me manter afastado
Mas você me conhece eu faço tudo errado, tudo errado" (Só por uma noite)
E conforme fui crescendo, anos passando, as letras foram tendo outros sentidos, como se um novo significado surgisse. Mesmo a tendo ouvido em tantos momentos diferentes...
"Eu não preciso de promessas e acho que você também
Eu não tento ser perfeito e acho que você também
Dias e noites, pensando no que fiz
Eu sou um vencedor, eu lutei pelo o que eu quis
Mas quando não se pode mais mudar tanta coisa errada
Vamos viver nossos sonhos, temos tão pouco tempo" (Como tudo deve ser)
Ele cantava muito a liberdade. O direito de ser como você é de verdade, se orgulhar disso. Mudar o errado, o mau. Mas ser como é. E como tudo deveria ser?
Ninguém precisa de promessas, de ses. As pessoas precisam ser, agir. Parece que não, mas na verdade temos todos, tão pouco tempo. E quando, "ouvindo um som e olhando o mar", se encontrar alguém que realmente seja como tudo deve ser, fazer valer a pena é um dever.
"Eu não sei fazer poesia... Mas que se foda!!!
Eu odeio gente chique eu não uso sapato... Mas que se foda!!!
Hoje você pixa quem já te ajudou,
E vem falando mal de quem já te fortaleceu
Mas um homem de verdade não se faz só com palavras
Você perdeu a moral e quem perdeu, perdeu
Se você pisar na bola, aí rapaz você vai ser cobrado
E se você pisar na bola, aí moleque tu vai ser cobrado" (Não uso sapato)
O fato é se sentir bem de ser como é. Não sei dançar, "mas que se foda". Não sei ser menos exagerada, tão comum, tão doce, tão meiga, "mas que se foda".
Desencana. O pior é ser alguém que finge ser o que não é. E aí, um dia, cada um responde pelo que é. Ser como se é tem um preço e apenas cada um pode arcar com isso. O fato é que "eu odeio hipocrisia", "mas que se foda".
O que deveríamos saber é que "Se não quiser ficar só cuide dela (e) (s) bem melhor" (Papo reto)... Mas só aprendemos isso quando a coisa passa.
Simples mesmo é entender que
"Nem tudo lhe cai bem
É um risco que se assume
O bom é não iludir ninguém" (Vícios e Virtudes)
Tendo isso em mente, fica fácil entender e aceitar as perdas:
"O tempo às vezes é alheio à nossa vontade, mas
Só o que é bom dura tempo o bastante pra se tornar inesquecível" (Vícios e Virtudes)
Penso muito nisso quando lembro das minhas bisavós! Convivi por tão pouco tempo com elas. Mas elas são tão inesquecíveis pra mim. O cheirinho delas, as histórias, os doces, a cocadinhas, o Dom Maracujá, a Scopa de 15, Shampoo Monange...
Sem tristeza. É mais pra acordar. Pensar na vida. Dizer: "Otário, eu vou te avisar, o teu intelecto é de mosca de bar" (Papo Reto) pra quem mereça ouvir, ou pra nós mesmos, quando mereçamos também.
E a música que me fazia pensar "Hoje eu acordei feliz", era:
"Ela não é
Do tipo de mulher
Que se entrega na primeira
Mas melhora na segunda
E o paraíso é na terceira
Ela tem força
Ela tem sensibilidade
Ela é guerreira
Ela é uma deusa
Ela é mulher de verdade
Ela é daquelas
Que tu gosta na primeira
Se apaixona na segunda
E perde a linha na terceira
Ela é discreta
E cultua bons livros
E ama os animais
Tá ligado, eu sou o bicho" (Ela vai voltar)
E claro, pra falar de todas as músicas que eu gosto, teria que "Te levar daqui"... Mas acho que dá pra terminar com uma mensagem linda. Que ultimamente, não me sai da cabeça:
"Um homem quando está em paz
Não quer guerra com ninguém
Eu segurei minhas lágrimas
Pois não queria demonstrar a emoção
Já que estava ali só pra observar
E aprender um pouco mais sobre a percepção
Eles dizem que é impossível encontrar o amor
Sem perder a razão
Mas pra quem tem pensamento forte
O impossível é só questão de opinião
E disso os loucos sabem" (Só os loucos sabem)
Aprendi que existem coisas que só os mais desapegados conseguem ver, sentimentos que só quem está de longe sente, que impossíveis são apenas ângulos de visão, pensamento forte não é tão horrível assim, e que não somos nada, nada mesmo, sem nossa família e sem nosso Deus, cuidando da gente de perto! E talvez para saber isso tudo, só beirando a loucura.
Valeu chorão.
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Dúvidas
"O filósofo Odo Marquard observou na língua alemã uma correlação entre a palavra zwei, que significa "dois", e a palavra zweifel, que significa "dúvida", indicando que dois de tudo trazem à nossa vida a possibilidade da incerteza."(Comprometida - Liz Gilbert)
Estou lendo esta surpresa de livro delicioso da Liz Gilbert, que fala sobre casamento! E não um conteúdo romântico de casório, e sim sua história, em diversas culturas. Nem preciso dizer que estou adorando! Mais legal ainda é ver como, com o passar do tempo fomos criando expectativas e tornando o assunto tão temido por homens e mulheres.
Mas dada a dica da leitura, quero comentar aqui a frase acima, do livro.
Como, cada vez mais, vivemos cercados de dúvidas.
Casar ou investir na carreira?
Comprar um imóvel ou investir em fundos?
Almoçar um fast-food ou comida tradicional?
Viajar ou economizar?
E vai mais longe... Que carreira escolher, quando mudar, onde morar, com quem casar, que livro ver, que operadora de celular escolher, que canal assistir, que filme ver, tudo...
Estamos constantemente convivendo com dúvidas e vence ou obtêm o maior número de vitórias aquele que sabe agir com rapidez e segurança diante de uma dúvida.
Muitos não suportam a pressão de tanto terem de decidir e escolher que acabam com depressões, pânicos, inseguranças. Outros não toleram as dúvidas do outro:
"Dê-me o benefício das suas convicções, se as tiver, mas guarde para si as dúvidas. Bastam-me as que tenho." (Goethe)
Outros ainda, não aceitam as sugestões dadas pelos mais próximos para ajudar a solucionar as dúvidas.
Cada qual sabe, ou deveria saber, lidar com as suas dúvidas.
O fato é que:
"Existem duas espécies de idiotas: aqueles que não duvidam de nada e aqueles que duvidam de tudo."(Ligne)
O melhor de tudo: fomos e somos agraciados pelo livre arbítrio, temos o direito à dúvida e o mais, à escolha ou a não escolha.
Interessante é pensar que será que não estamos tendo opções demais?
Dois de tudo, como disse Liz Gilbert, não pode nos tornar inseguros, ingratos e insensíveis ao importante e real?
Bom refletir nisso!
Até semana que vem!
Estou lendo esta surpresa de livro delicioso da Liz Gilbert, que fala sobre casamento! E não um conteúdo romântico de casório, e sim sua história, em diversas culturas. Nem preciso dizer que estou adorando! Mais legal ainda é ver como, com o passar do tempo fomos criando expectativas e tornando o assunto tão temido por homens e mulheres.
Mas dada a dica da leitura, quero comentar aqui a frase acima, do livro.
Como, cada vez mais, vivemos cercados de dúvidas.
Casar ou investir na carreira?
Comprar um imóvel ou investir em fundos?
Almoçar um fast-food ou comida tradicional?
Viajar ou economizar?
E vai mais longe... Que carreira escolher, quando mudar, onde morar, com quem casar, que livro ver, que operadora de celular escolher, que canal assistir, que filme ver, tudo...
Estamos constantemente convivendo com dúvidas e vence ou obtêm o maior número de vitórias aquele que sabe agir com rapidez e segurança diante de uma dúvida.
Muitos não suportam a pressão de tanto terem de decidir e escolher que acabam com depressões, pânicos, inseguranças. Outros não toleram as dúvidas do outro:
"Dê-me o benefício das suas convicções, se as tiver, mas guarde para si as dúvidas. Bastam-me as que tenho." (Goethe)
Outros ainda, não aceitam as sugestões dadas pelos mais próximos para ajudar a solucionar as dúvidas.
Cada qual sabe, ou deveria saber, lidar com as suas dúvidas.
O fato é que:
"Existem duas espécies de idiotas: aqueles que não duvidam de nada e aqueles que duvidam de tudo."(Ligne)
O melhor de tudo: fomos e somos agraciados pelo livre arbítrio, temos o direito à dúvida e o mais, à escolha ou a não escolha.
Interessante é pensar que será que não estamos tendo opções demais?
Dois de tudo, como disse Liz Gilbert, não pode nos tornar inseguros, ingratos e insensíveis ao importante e real?
Bom refletir nisso!
Até semana que vem!
domingo, 9 de setembro de 2012
O Rio
"Deixa-me seguir para o mar
Tenta esquecer-me...
Ser lembrado é como evocar
Um fantasma...
Deixa-me ser o que sou,
O que sempre fui, um rio que vai fluindo...
Em vão, em minhas margens cantarão as horas,
Me recamarei de estrelas como um manto real,
Me bordarei de nuvens e de asas,
Às vezes virão a mim as crianças banhar-se...
Um espelho não guarda as coisas refletidas!
E o meu destino é seguir... é seguir para o Mar,
As imagens perdendo no caminho...
Deixa-me fluir, passar, cantar...
Toda a tristeza dos rios
É não poder parar!"
Mário Quintana
A tristeza de um rio, de não poder parar... E quantas vezes somos nós, quem não temos essa parada. Quem não temos esta beleza?
Nestes dias, pude perceber que viver correndo, com os minutos contados, com os compromissos agendados, me fez até perder minha saúde.
De que adianta, poder ter algo se não posso usufruir dele?
Dei um grito de libertação que me fez me comprometer com uma coisa: calma, paz, tranquilidade. Sem correria, sem comer sem sentir o gosto da comida.
Ontem, passeando por São Paulo, usei várias vezes o metrô. E, claro, fiquei observando as pessoas, em sua correria diária, indo ou voltando do trabalho.
Percebi que a correria era tanta, que mesmo na escada rolante, as pessoas vão andando, correndo, tudo pra não perder tempo, para voar.
Voar.
Passar rápido.
Eliminar etapas.
Cumprir logo o esperado.
Lembro do filme Click. Comédia dramática linda. Lembram?
Talvez a correria é tanta, que provavelmente quando você leu a poesia acima, não conseguiu degustá-la e perceber o quão bonita ela é.
O que fazemos conosco mesmo, é um pecado. Um sacrilégio.
"Deixa-me ser o que sou,
O que sempre fui, um rio que vai fluindo..."
O quanto nos mudamos, nos tornamos algo que não somos. Não aceitamos nossa natureza.
"Às vezes virão a mim as crianças banhar-se...
Um espelho não guarda as coisas refletidas!"
Quantas memórias lindas teremos de coisas tão triviais que muitas vezes não lembraremos, nem sequer no momento, nos daremos conta de que são coisas lindas.
"E o meu destino é seguir... é seguir para o Mar,
As imagens perdendo no caminho...
Deixa-me fluir, passar, cantar..."
Nossa vida é corriqueira. O tempo passa por nós sem piedade.
É carnaval. Quando percebemos já chegou o natal.
Não vemos mais os meses passar. Até Agosto, que sempre foi um mês pesado, demorado, passou voando e eu não vi.
Não conseguimos guardar nada, a não ser coisas materiais, que na verdade não nos pertencem ao certo, e não poderemos levá-las a lugar nenhum quando nos formos.
Nosso destino é seguir. sempre seguir.
O desafio é não perder as imagens do caminho, o que aprendemos, desaprendemos, criamos, crescemos.
"Toda a tristeza dos rios
É não poder parar!"
Assim como nós...
Boa semana, gente!
domingo, 2 de setembro de 2012
Confesso que vivi
Quando estive no Chile, pude conhecer a famosa casa de Pablo Neruda em Santiago.
Nesta mesma casa, tem uma lojinha com vários livros do autor.Pra treinar meu espanhol, comecei a ler "Confieso que he vivido", no Brasil, Confesso que vivi. O livro é uma autobiografia, escrito ao longo de vários anos por Neruda, e publicado após sua morte, em 1974.
O livro é uma delícia de se ler! Mais ainda quando você já leu outros livros do autor, pois ele nos conta, além de vários detalhes das fases de sua vida, detalhes de como surgiram algumas de suas poesias mais famosas. Assim acontece com esta: O tango del viudo.
O livro vai desde a infância do autor, passa pelo início da carreira diplomática, a Guerra Civil Espanhola, a Segunda Guerra Mundial, suas andanças pelo mundo, seus exílios e sobre o seu regresso à pátria.
Um treixinho que está lá:
"Talvez não tenha vivido em mim mesmo, talvez tenha vivido a vida dos outros.
Do que deixei escrito nestas páginas se desprenderão sempre – como nos arvoredos de outono e como no tempo das vinhas – as folhas amarelas que vão morrer e as uvas que reviverão no vinho sagrado.
Minha vida é uma vida feita de todas as vidas: as vidas do poeta."
Fiquei tão encantada com a leitura, que pesquisando outros dados sobre o livro na internet, me lembrei de uma maravilha de filme: "O carteiro e o poeta". Filme este que conta a história de Mario, um carteiro que, ao fazer amizade com o grande poeta Pablo Neruda (então exilado político), vira seu carteiro particular e acredita que ele pode se tornar seu cúmplice para conquistar o coração de uma donzela. O filme se passa em uma linda ilha na costa italiana, o que traz além de toda a magia do filme, um brinde de belas paisagens.
“Quando se explica a poesia, ela se torna banal.” (Neruda), por isso, se puderem, vejam o filme e leiam o livro!!! Não vou conseguir, apenas com palavras, explicar o quão engrandecedor me foi conhecer estas obras!!!
Boa semana!!!!
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Para provocar um incêndio não é preciso fogo
Tive a oportunidade de conhecer um ídolo. Alguém que há muito admiro e que tem o dom de me fazer crescer, refletir, pensar, melhorar... Rubem Alves
Já esperando o encontro, comprei seu novo livro - Pimenta (comprar) com a intenção de receber uma dedicatória do autor, que tanto gosto.
Quando o vi e ouvi, todas minhas expectativas foram ampliadas. Suas palavras e olhares foram suficientes para gravar sua assinatura não em um livro, papel qualquer, mas dentro de mim... Nas profundezas do meu eu.
Rubem Alves tem carisma, inteligência, simpatia, amor.
Este amor contagia. Este amor me fez repensar atos, sentir sabores já sentidos de forma diferente, pensar na beleza de uma cebola, enfim, ver imagem com os olhos da alma.
Comprei muitos exemplares de livros dele, pois senti que precisava de uma dose diária do sentimento bom que ele me proporcionou. Me trouxe um pouco da humanidade que eu tanto perco no dia a dia. Trouxe também o sentir de volta à minha rotina.
Rubem surgiu naquele palco como ele mesmo. Enfrentando o Mal de Parkinson, não pôde assinar meu livro, nem o de ninguém. Assinou, sim, em nossos corações.
Quando perguntado sobre o que ele mais gostava de fazer, respondeu prontamente: "Estar aqui com vocês. Depois da doença, eu tive medo de estar aqui. Mas hoje voltei e estou feliz em estar aqui. Estou aqui limitado e esquecido, mas vocês gostam de mim, me ajudam e perdoam."
Quer coisa mais feliz?
Que exemplo pra mim. Que grande valorização da vida. Que lição esse amor e apego a coisas tão corriqueiras que somente os sábios mais vividos têm.
Que lição quando, perguntado sobre o que sentia mais falta, ele diz que sentia falta de escrever a mão, quando as palavras vêm com mais vontade. E mais ainda, que falta sentia de brincar com seus netos.
Que vontade e disposição eu ganhei pra tentar aproveitar e valorizar cada minuto desta linda vida que Deus me deu.
Feliz de ter vivido isso!
PIMENTA - Para provocar um incêndio não é preciso fogo
“Pimentas são frutinhas coloridas que têm poder para provocar incêndios na boca. Pois há ideias que se assemelham às pimentas: elas podem provocar incêndios nos pensamentos. (...) Mas, para se provocar um incêndio, não é preciso fogo. Basta uma única brasa. Um único pensamento-pimenta...”.
O livro é sensacional! Não consigo largar!Dividido em 74 pequenos contos, reflexões que brotaram na mente sempre criativa do autor, o livro encanta por sua proximidade com a vida cotidiana de pessoas comuns.
Só pra deixá-los com mais vontade:
“Pois qual é o dono de cachorro que nunca olhou para os olhos de seu cãozinho e se perguntou: ‘O que será que ele pensa de mim?’”
“Alguém disse que preferia os gatos aos cachorros porque não há gatos policiais”.
“A privada é o lugar onde estamos sós e ninguém tem o direito de nos incomodar. Lugar de refúgio, santuário de solidão. Quando a gente está na privada, não tem de se comportar direito, não tem de prestar atenção ao que os outros estão dizendo. É um lugar de liberdade e honestidade.”
“Eram seis da manhã. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: ‘Papai, quando você morrer você vai sentir saudades?’. Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: ‘Não chore que eu vou te abraçar...’. Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade porque lá a gente fica longe dessa terra tão boa...”
“Ao ouvir uma música que me comove por sua beleza, eu me reencontro com a mesma beleza que estava adormecida dentro de mim. (...) Eu me reencontro com a minha própria beleza. Por isso a música me traz felicidade...”
Para saberem mais sobre o autor, visitem seu site: http://www.rubemalves.com.br/
Já esperando o encontro, comprei seu novo livro - Pimenta (comprar) com a intenção de receber uma dedicatória do autor, que tanto gosto.
Quando o vi e ouvi, todas minhas expectativas foram ampliadas. Suas palavras e olhares foram suficientes para gravar sua assinatura não em um livro, papel qualquer, mas dentro de mim... Nas profundezas do meu eu.
Rubem Alves tem carisma, inteligência, simpatia, amor.
Este amor contagia. Este amor me fez repensar atos, sentir sabores já sentidos de forma diferente, pensar na beleza de uma cebola, enfim, ver imagem com os olhos da alma.
Comprei muitos exemplares de livros dele, pois senti que precisava de uma dose diária do sentimento bom que ele me proporcionou. Me trouxe um pouco da humanidade que eu tanto perco no dia a dia. Trouxe também o sentir de volta à minha rotina.
Rubem surgiu naquele palco como ele mesmo. Enfrentando o Mal de Parkinson, não pôde assinar meu livro, nem o de ninguém. Assinou, sim, em nossos corações.
Quando perguntado sobre o que ele mais gostava de fazer, respondeu prontamente: "Estar aqui com vocês. Depois da doença, eu tive medo de estar aqui. Mas hoje voltei e estou feliz em estar aqui. Estou aqui limitado e esquecido, mas vocês gostam de mim, me ajudam e perdoam."
Quer coisa mais feliz?
Que exemplo pra mim. Que grande valorização da vida. Que lição esse amor e apego a coisas tão corriqueiras que somente os sábios mais vividos têm.
Que lição quando, perguntado sobre o que sentia mais falta, ele diz que sentia falta de escrever a mão, quando as palavras vêm com mais vontade. E mais ainda, que falta sentia de brincar com seus netos.
Que vontade e disposição eu ganhei pra tentar aproveitar e valorizar cada minuto desta linda vida que Deus me deu.
Feliz de ter vivido isso!
PIMENTA - Para provocar um incêndio não é preciso fogo
“Pimentas são frutinhas coloridas que têm poder para provocar incêndios na boca. Pois há ideias que se assemelham às pimentas: elas podem provocar incêndios nos pensamentos. (...) Mas, para se provocar um incêndio, não é preciso fogo. Basta uma única brasa. Um único pensamento-pimenta...”.
O livro é sensacional! Não consigo largar!Dividido em 74 pequenos contos, reflexões que brotaram na mente sempre criativa do autor, o livro encanta por sua proximidade com a vida cotidiana de pessoas comuns.
Só pra deixá-los com mais vontade:
“Pois qual é o dono de cachorro que nunca olhou para os olhos de seu cãozinho e se perguntou: ‘O que será que ele pensa de mim?’”
“Alguém disse que preferia os gatos aos cachorros porque não há gatos policiais”.
“A privada é o lugar onde estamos sós e ninguém tem o direito de nos incomodar. Lugar de refúgio, santuário de solidão. Quando a gente está na privada, não tem de se comportar direito, não tem de prestar atenção ao que os outros estão dizendo. É um lugar de liberdade e honestidade.”
“Eram seis da manhã. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: ‘Papai, quando você morrer você vai sentir saudades?’. Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: ‘Não chore que eu vou te abraçar...’. Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade porque lá a gente fica longe dessa terra tão boa...”
“Ao ouvir uma música que me comove por sua beleza, eu me reencontro com a mesma beleza que estava adormecida dentro de mim. (...) Eu me reencontro com a minha própria beleza. Por isso a música me traz felicidade...”
Para saberem mais sobre o autor, visitem seu site: http://www.rubemalves.com.br/
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