Você já imaginou se você sumisse?
Dentre as coisas que você é, faz, tem, já parou pra pensar como seria se não mais as fosse, fizesse ou tivesse?
Se por um minuto você pensar que a si mesmo não perceberia essa falta, o que causaria nos que estão próximos de você a sua própria ausência?
O tom da sua voz faria falta? Os comentários chatos? As piadinhas peculiares? Os medos de sempre?
A sua desorganização faria falta enfim?
Sua insegurança, sua cobrança, sua chatice: faria falta?
Fácil não sentir falta de coisas ruins...
Mas e a atenção que você dá? E o consolo que você proporciona? Seus ouvidos atentos e ansiados pra ajudar? Seu cuidado. Seu carinho. Faz falta para o próximo?
Até que ponto o seu sumiço muda a vida de alguém?
Olhe a sua volta? do que é feito o que tem ao seu lado? São só coisas suas? Reparo aqui e vejo fotos, presentes que me lembram coisas, pessoas e situações. Se eu as perdesse, ainda teriam valor essas lembranças?
Fico constantemente me lembrando do filme Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembrança e penso, e se sou eu quem eventualmente suma? Como ficaria tudo?
Eu faria falta simplesmente por ser quem sou? E não num contexto de mãe, filha, irmã, neta, sobrinha, prima, amiga, namorada, esposa... Como pessoa, sentiriam a minha falta? Faço diferença no dia de alguém? A minha risada alegra outra pessoa? Minhas palavras servem de consolo ou força pra alguém? Meu reconhecimento, elogio, confissão tornam alguém mais feliz? Meu sorriso de alegria contagia? Minhas lágrimas de tristeza trazem a preocupação de alguém? Meu abraço, minha entrega farão falta se desaparecerem?
E assim tento pensar se o caminho que tenho andado, se o que tenho feito sem notar faz com que todas as respostas para asa perguntas do parágrafo anterior sejam: "Sim, eu sentiria sua falta. Não imagino meu dia sem sua presença".
Acredito que mais que acumular riquezas, posses, quantidades... O que mais me preencheria de alegria seria saber que teria muitas respostas Sim para as minhas inquietações.
Reflita também... Você é importante pra alguém? E você dá importância pra quem se importa? Se você perdesse tudo de bens que possui, teria a força de começar de novo por saber que têm pessoas que se importam por perto?
Tomara que sim :) Boa semana!!!
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terça-feira, 21 de janeiro de 2014
domingo, 30 de junho de 2013
Medianeras *
Como prometido, vou escrever um pouquinho sobre um filme lindo que eu vi, e que me deixou encantada: Medianeras: Buenos Aires da Era do Amor Virtual.
O filme é todo intimista e acho que vai ser 8 ou 80. Ou você vai amá-lo ou odiá-lo. Eu amei!
Quis vê-lo porquê vou novamente pra Buenos Aires (aqui uma postagem especial sobre a cidade!) e o filme mostra uma Buenos Aires bem detalhada e na visão de moradores de lá! Só de mostrar a cidade de um outro ângulo, citar alguns pontos turísticos famosos, tentar explicar as construções e sua falta de padrão e modelo estético arquitetônico, de explicar o que são as Medianeras (fundamental na beleza metafórica do filme), e de citar "o que se pode esperar de uma cidade que virou as costas pro seu rio?", só disso tudo, já valeria a pena você assistir. A arquitetura portenha aparece como uma vilã e como metáfora de isolamento e falta de comunicação.
“Estou convencido de que as separações, os divórcios, a violência familiar, o excesso de canais a cabo, a falta de comunicação, a falta de desejo, a apatia, a depressão, o suicídio, as neuroses,os ataques de pânico, a obesidade, as contraturas, a inseguridade, a hipocondria, o estresse e o sedentarismo são responsabilidade dos arquitetos e da construção civil. Destes males, salvo o suicídio, padeço de todos.” (Frase do Martín - pouco doido?)
"Estes edifícios que se sucedem sem nenhuma lógica demonstram uma total falta de planejamento. Exatamente igual à nossa vida, vamos vivendo sem ter a mínima idéia de como queremos ser. Vivemos como se estivéssemos de passagem por Buenos Aires. Somos os inventores da cultura do inquilino. Os edifícios são cada vez menores, para dar lugar a novos edifícios, menores ainda. Os apartamentos se dividem em ambientes, e vão desde os excepcionais 5 ambientes com varanda, sala de jogos, dependência de empregados, depósito, até a quitinete, ou caixa de sapatos." (Martín again)
Mas não, não fica por aí!
O filme conta a história de Martín e Mariana. Ambos com problemas de relacionamentos, causados por relacionamentos horríveis que tiveram em suas vidas! Não, ninguém tá sofrendo de dor de cotovelo no filme! Não!!!! tão é deprimidos por terem perdido tempos preciosos de suas vidas com pessoas erradas, que não valiam a pena e nem tinham nada a ver com eles. #quemnão?
"Como é possível ser próximo de alguém tão diferente?
É a conclusão estúpida que fica de uma relação de quatro anos (...) Quatro anos são 48 meses... são 1.460 dias... são 35.040 horas com a pessoa errada." (Frase da Mariana)
Martín e Mariana não se conhecem, mas nitidamente foram feitos um para o outro! O legal é que grande parte do filme se passa sem que não haja nenhum contato entre eles, e você sente, a cada minuto, o quanto eles são próximos e parecidos. Gostos semelhantes, comportamentos complementares, angústias e medos familiares. É apaixonante torcer por eles, porque você pensa: Noooooooossaaaaa! tem alguém no mundo que vai entender a loucura dele e vai fazer ele feliz! E não vai criticar, nem querer mudar! Fofo!
E pra variar, essa pessoa tá tão perto, tão na cara, tão literalmente a um clique de você que fica até difícil de aproximar: "Se, mesmo sabendo quem eu procuro, não consigo achar... Como vou achar quem eu procuro se nem sei como é?" (Outra frase da Mariana, sim ela é bem louca, mas fofa!).
Pra saber um pouco mais, a história é narrada por estes dois personagens, que tentam se libertar das amarras da solidão que a cultura virtual e a arquitetura de Buenos Aires acarretaram para portenhos que vivem sozinhos. O diretor do filme, Gustavo Taretto, explica que quis retratar uma solidão que não é dramática, mas "uma solidão a que já estamos acostumados. De todos os dias. Solidão urbana. A solidão que sentimos quando estamos rodeados de desconhecidos"
Olha a carinha dos protagonistas:
E pra quem ficou mais curioso ainda, ta aqui o trailler:
Boa semana pra todo mundo!
* Medianeras (ou pared medianera) é nome dado àquelas paredes sem janelas dos edifícios, também chamadas de paredes cegas. Geralmente, são as paredes laterais de um prédio, que, por sua proximidade com o edifício vizinho, não se pode "abrir janelas". Muitas vezes, estes espaços são usados para afixar outdoors ou algum tipo de publicidade. Na Argentina a construção de janelas em paredes medianeras é proibido por lei, ainda assim muitos descumprem a ordem, em busca de mais claridade em seus apartamentos.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Elvis na tela 1
Por sugestão de alguns leitores, vou fazer algumas séries de postagens - não seguidas - sobre os filmes do Rei Elvis Presley.
Espero que gostem e que, quem ainda não conhece, possa desfrutar da cultura Elvismaníaca...
GI Blues - Saudade de um pracinha (1960)
Este é um dos meus filmes preferidos. O filme foi feito depois do Rei voltar do seu serviço obrigatório no exército, na Alemanhã. O filme é ambientado na Alemanha e claro, fala de um pracinha. Em Saudades de um Pracinha, Tulsa MacLean é um artista que logo dará baixa do Exército. Tulsa está na Alemanha Ocidental e é membro de uma divisão de tanques, como Elvis.
De cara, já digo que só pela cena do Elvis cantando Wooden Heart num teatro de marionetes, já vale o filme! A cena está no vídeo abaixo, mas dentro do contexto do filme fica muito mais fofa:
Basicamente o resumo do filme é: Tulsa McLean é um soldado cujo maior sonho é ser dono de um "Night Club". Para conseguir o valor em dinheiro para que ele possa abrir o seu empreendimento, ele aceita participar de uma aposta, onde, na qual, ele deve passar uma noite com uma bailarina famosa do local. Mas, os dois acabam se apaixonando de verdade.
Pela primeira vez, o Rei cuida de um bebê em um filme e a cena é hilária.
O roteiro e a história são ótimos. Leve, engraçado, romântico. Mostra bastante o lado mais juvenil e espontâneo de Elvis. Vale muito a pena assistir!
Elenco
Elvis Presley: Tulsa McLean
Juliet Prowse: Lili
Robert Ivers: Cookie
James Douglas: Rick
Trilha sonora
"Tonight Is So Right For Love"
"What's She Really Like"
"Frankfort Special"
"Wooden Heart"
"G.I. Blues"
"Pocketfull Of Rainbows"
"Shopping Around"
"Big Boots"
"Didja Ever"
"Blue Suede Shoes"
"Doin' The Best I Can"
Loving you - A mulher que eu amo (1957)
É o segundo filme da carreira de Elvis. Logo de cara já da pra ver a semelhança do filme com a história do próprio Elvis. É um drama musical. Diferente de "Saudades de um pracinha" que vai mais para a comédia romântica musical.
Elvis interpreta um desconhecido mas talentoso cantor que tinha um som totalmente musical. Seu personagem, Deke Rivers, vem do Sul, mas ele não se adapta ao mundo da música country. Uma promotora musical megera, interpretada por Lizabeth Scott, reconhece o talento único de Deke e o explora como um novo rosto que encanta o público jovem. A mídia distorce seu encanto e o identifica como uma pessoa temperamental até Derek provar que foi tão somente um mero engano.
Curiosidade interessante: Foi neste filme que Elvis deu seu primeiro beijo em cena!
Gostei bastante, mas não é um dos meus preferidos!
Como sempre, é o Rei e vale a pena conhecer mais de sua história!
Elenco
Elvis Presley: Jimmy Tompkins (Deke Rivers)
Lizabeth Scott: Glenda Markle
Wendell Corey: Walter "Tex" Warner
Dolores Hart: Susan Jessup
James Gleason: Carl Meade
Ralph Dumke: Jim Tallman
Trilha sonora
"Mean Womam Blues"
"Teddy Bear"
"Loving You"
"Got a Lot of Living To Do"
"Lonesome Cowboy"
"Hot Dog"
"Party"
"Blueberry Hill"
"True Love"
"Don't Leave Me Now"
"Have I Told You Lately That I Love You"
"I Need You So"
domingo, 2 de setembro de 2012
Confesso que vivi
Quando estive no Chile, pude conhecer a famosa casa de Pablo Neruda em Santiago.
Nesta mesma casa, tem uma lojinha com vários livros do autor.Pra treinar meu espanhol, comecei a ler "Confieso que he vivido", no Brasil, Confesso que vivi. O livro é uma autobiografia, escrito ao longo de vários anos por Neruda, e publicado após sua morte, em 1974.
O livro é uma delícia de se ler! Mais ainda quando você já leu outros livros do autor, pois ele nos conta, além de vários detalhes das fases de sua vida, detalhes de como surgiram algumas de suas poesias mais famosas. Assim acontece com esta: O tango del viudo.
O livro vai desde a infância do autor, passa pelo início da carreira diplomática, a Guerra Civil Espanhola, a Segunda Guerra Mundial, suas andanças pelo mundo, seus exílios e sobre o seu regresso à pátria.
Um treixinho que está lá:
"Talvez não tenha vivido em mim mesmo, talvez tenha vivido a vida dos outros.
Do que deixei escrito nestas páginas se desprenderão sempre – como nos arvoredos de outono e como no tempo das vinhas – as folhas amarelas que vão morrer e as uvas que reviverão no vinho sagrado.
Minha vida é uma vida feita de todas as vidas: as vidas do poeta."
Fiquei tão encantada com a leitura, que pesquisando outros dados sobre o livro na internet, me lembrei de uma maravilha de filme: "O carteiro e o poeta". Filme este que conta a história de Mario, um carteiro que, ao fazer amizade com o grande poeta Pablo Neruda (então exilado político), vira seu carteiro particular e acredita que ele pode se tornar seu cúmplice para conquistar o coração de uma donzela. O filme se passa em uma linda ilha na costa italiana, o que traz além de toda a magia do filme, um brinde de belas paisagens.
“Quando se explica a poesia, ela se torna banal.” (Neruda), por isso, se puderem, vejam o filme e leiam o livro!!! Não vou conseguir, apenas com palavras, explicar o quão engrandecedor me foi conhecer estas obras!!!
Boa semana!!!!
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