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terça-feira, 9 de julho de 2013

Com quem você quer envelhecer?


Eu nunca tinha pensado nisso. Com quem eu quero envelhecer? Mas alguém me perguntou isso e eu não soube responder na hora. Mas fiquei incomodada pensando tanto nisso.
E quis, tentar, saber responder isso.

Primeiro, pensei no que seria envelhecer. Sim, ficar velho. Mas o que mais? Ter uma menor mobilidade, ter menos disposição, ter mais tempo, ter mais doenças talvez, ter mais sabedoria, ter menos paciência, ter uma aparência pior do que a de hoje talvez? Ver a morte se aproximar e levar pessoas queridas. 

Envelhecer é todo um processo. E ter alguém do meu lado nisso é o que eu mais desejo no mundo. Alguém pra cuidar de mim. Alguém pra eu cuidar. Alguém pra eu ficar conversando nos momentos de ócio. Alguém pra me lembrar de ir no médico, tomar remédio. Alguém pra ver filmes comigo. Alguém pra viajar comigo. Alguém pra almoçar e jantar, quando os filhos já não tiverem mais em casa. Alguém pra estar toda noite me ajudando a esquentar.
Alguém que me ame, apesar das rugas novas. Alguém que lembre o quanto antes eu fui mais bonita, mas que ainda me olhe com o mesmo desejo, amor e cuidado.

Rubem Alves disse "Velhice é quando a gente começa a ser tratado como "objeto de respeito" e não como "objeto do desejo". Mas o que quero não é ser olhado com respeito, mas com desejo..." Quem eu quero pra estar comigo quando eu envelhecer é o meu companheiro de toda a vida, que me olhe sim com o mesmo respeito de sempre, mas que nunca perca o desejo de me amar e fazer feliz.

E como saber quem é a pessoa com quem eu quero envelhecer?

 


 

Posso não saber quem é, mas sei o que deve ou deveria ter. 
Alguém que goste de coisas parecidas com as quais eu gosto. Alguém que tenha os mesmos defeitos. Alguém que possa ficar deitado sem fazer nada, só conversando, ou mostrando bobeiras no computador ou na TV. 
Alguém que me admire. Não só fisicamente, mas alguém que eu saiba e sinta que tenha um certo orgulho ou prazer de me ver como eu sou. Aliás, alguém com quem eu possa me soltar e ser como sou. Alguém que eu tenha liberdade pra contar meus medos, chorar, ficar com o nariz vermelho e inchado e não me importar com isso.
Alguém que faça bem apenas com uma mensagem de bom dia, com uma ligação inesperada. Alguém que só por estar ao me lado me traga paz. Alguém que acelere meu coração quando está para vir, que me faça tremer com um simples beijo mas que me encha de paz. Complexo pensar na adrenalina que traz paz. Mas a pessoa que eu quero envelhecer terá isso.


Alguém que quando eu perco por um instante, perco a paz também. "É tão ruim, não tem sentido, prazer, não há nada", como diria Lobão.
Alguém que consiga me dar um golpe de alegria e estímulo quando eu estiver triste. Alguém que se preocupe com os meu problemas. Alguém que me ajude. Alguém que queira de verdade me ajudar.
Alguém que não esteja ocupado em me mudar. Alguém que me ame como eu sou. Cheia de defeitos. Alguém que me respeite.
Alguém que "conforte a minha dor com atenção", como diriam os Detonautas. Alguém quem seja meu esconderijo, meu refúgio, meu momento de prazer e calma.
Alguém que "quando o tempo fecha e o céu quer desabar, perto do limite difícil de aguentar... Aí eu volto pra casa e te peço pra ficar... Em silêncio, só ficar...", como cantaria Humberto Gessinger.
Alguém com quem eu possa falar absurdos, coisas sem lógica, "falar da cor dos temporais, do céu azul, das flores de abril, pensar além do bem e do mal, lembrar de coisas que ninguém viu", como diria MIlton Nascimento ou "contar meus pesadelos e até minhas coisas fúteis... Alguém que eu possa tirar a roupa e fazer o que eu quiser" como canta o Jota Quest.
Alguém que com um simples beijo ou um abraço, ou até mesmo um olhar, de longe, queime o meu coração. Alguém que não deixe os meus olhos mentirem, nem fugirem.
Alguém que se, não estiver perto, faça tanta falta, que aperte o peito, tire a fome e o sono. Mas que quando volte, faça bem. 
Alguém que vire motivo e tema de todas as letras de músicas. Alguém que faça as melodias até doerem por dentro. 


Alguém que as vezes leve embora meu juízo e me faça cometer algumas loucuras. 
Alguém que quando está ao meu lado eu perceba o quanto é simples amar. Alguém que mereça este amor que eu nunca soube dar.
Alguém que eu ache lindo mesmo com todos os defeitos. Alguém que seja o mais atraente pra mim. E alguém que goste do meu nariz grande, da orelha torta e da minha monocova. 
Alguém que me ache linda até chorando. 
Alguém que me faça ter vontade de ter uma família, ter filhos, cuidar.
E como cantariam os Semisonics, alguém que quando eu souber quem seja, eu possa dizer com certeza que eu já sei quem é a pessoa que eu quero que me leve pra casa... E cantarei contente o refrão mais fofo do mundo: "I know who I want to take me home..."


E você, sabe responder de pronto, com quem você quer envelhecer?

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O Que Esperar Quando Você Está Esperando




Ontem assisti o filme "O que esperar quando você está esperando", baseado no livro de sucesso de mesmo nome.

O filme é muito interessante e deveria ser visto pelos casais que estão em via de ter filhos. Trata de vários aspectos da chegada dos filhos... Gravidez planejada, não planejada, adoção e as mudanças que envolvem um homem, uma mulher e o casal em si. 

Homens de plantão: não sejam preconceituosos e assistam se puder.

Mas o que mais me chamou a atenção no entanto, foi um medo, receio, apavoramento mesmo que tenho sobre a decisão do tipo de parto.
Ainda não sou mãe, mas este assunto já me assombra.

Morro de medo de parto normal. As mulheres de minha família tiveram dificuldade com ele e por isso quando penso na escolha do parto, logo penso em cesárea.
Acho mais segura, mais cômoda, menos dolorida e me inspira mais paz.

Médicos e estudiosos dizem que parto normal é a melhor opção. Mas veja a seguinte citação, retirada da Revista Veja:

"Há quatro anos, em um congresso da categoria, o professor Marcelo Zugaib, chefe do departamento de obstetrícia e ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, dedicou sua concorrida palestra àquele que então considerava um princípio irrefutável: parto bom é parto normal. Foi duro e incisivo, qualificando de antiéticos os colegas que abusavam da "cesariana sem necessidade". Saiu do palco aplaudido por centenas de médicos, todos defensores do pensamento dominante. No mês passado, em outro congresso, Zugaib novamente foi convidado a proferir palestra. O título, dessa vez, era uma pergunta que por si só indica a virada na forma como os profissionais sérios abordam a questão: "Resgatar o normal é válido?" Ao microfone, o obstetra desdisse boa parte do que havia defendido com tanta veemência antes. Qualquer casal que conte com bons médicos e bons hospitais, declarou, pode e deve optar exatamente pelo tipo de procedimento que julgar mais conveniente. Se quiser se preparar para um parto normal, tudo bem; se desde a primeira consulta preferir cesárea, também não há problema. 

"Antigamente, tratávamos a cesariana como os religiosos tratavam os pecadores na época 
da Inquisição", reconhece Zugaib. "Continuo a favor do parto natural. Mas, com os avanços tecnológicos e as mudanças de costumes, não condeno mais a cesárea. Cada caso é único e cabe ao médico dar todas as informações para que o casal faça sua escolha.""

Se pensarmos que o Brasil é o campeão em cesarianas, cabe uma nova análise ao tema. Por que será que tantas mulheres optam por este tipo de parto?

Será que são os médicos? Será pela facilidade de agendamento de datas e horários convenientes?

Não sei. Acredito que sejam uma série de fatores. Eu particularmente penso que a cesarea seja a melhor opção, para pessoas como eu: nervosas, agitadas, com pânico de parto normal, com medo de ter dores, com medo de não ter força. Penso que hoje em dia uma cesariana é simples, segura, causa muito menos dor e tem recuperação rápida. 

Acredito que diante de tantos medos que tenho, é melhor que eu opte pela cesariana e tenha um parto tranqüilo. A calma e tranquilidade nesse momento tão importante e feliz na vida de uma família deve ser priorizada.

O fato é que este tipo de parto tem sido feito muitas vezes desnecessariamente, visando apenas a comodidade, do médico e da paciente. O que aí, gera um risco desnecessário. 

Na mesma matéria da Revista Veja, Marcelo cita outro aspecto importante: "Também não considero a cirurgia a opção ideal para a saúde pública porque, além de ser mais cara, não temos qualidade suficiente, em matéria de médicos e hospitais, para garantir a taxa mínima de risco de um parto normal. Mas quem tem acesso a serviços e atendimento de primeira linha pode se sentir muito melhor fazendo uma cesárea."

Antes, as vantagens da cesariana eram muito poucas, se tomássemos suas desvantagens: anestesia, corte, dor no pós-parto, mulheres encurvadas caminhando devagarinho, encolhidas, pelos corredores da maternidade. As mães que pediam este tipo de parto eram consideradas mimadas, imaturas, despreparadas até para os imensos sacrifícios exigidos pela maternidade. 

Hoje, o corte na barriga não passa de 10 centímetros e os pontos são absorvidos pelo organismo. O anestésico, além de ter menos efeitos colaterais, é injetado com uma dose de morfina que permite à mulher não sentir dor alguma no primeiro dia. Quando seu efeito passa, ela já está se movimentando normalmente e a dor residual é bem menor. Que mulher resiste?

Eu queria muito ter coragem para um parto normal. Mas por enquanto minha escolha seria cesarea.

E vocês? O que pensam disso? Os pais, as mães, os futuros. Qual seria/foi a escolha de vocês????

Ah, e por pura curiosidade, o termo cesariana vem do latim caedere, cortar, e da lenda que diz que César, o futuro imperador romano, teria sido tirado por um corte da barriga da mãe agonizante.
Interessante, né?

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

E se você não pudesse esquecer?


Hoje li uma notícia que me deixou em pane: “Com supermemória, ingês lembra o que fez, comeu e usou em dez anos”.

Pra resumir, é a história de um cara que tem uma doença chamada “hipertimésia”, que seria uma amnésia ao contrário, fazendo com que ele não se esqueça de nada que ocorreu consigo na última década.

Você já parou para pensar o que isso quer dizer?Já pensou que desespero se lembrar de cada detalhe, de cada roupa, de cada comida, de cada palavra, de cada momento bom, mas também de cada memória triste, de cada briga, de cada revolta.

A maioria das pessoas se lembra não mais do que 11 eventos importantes por ano. Eventos importantes podemos tomar coisas boas e ruins.

O que é bom adoramos lembrar. Nos faz bem.

O que é ruim nos amadurece, nos faz enxergar a vida com outros olhos, mas também nos deprime e angustia. Nem sempre nos faz tão bem.

Pensando nisso, será que esta doença aumenta o sentimento de raiva, ira, revolta, violência do doente?

Porque é fato: Um bom relacionamento, quer amoroso, profissional, fraternal ou familiar vai requerer paciência, calma, perdão. Quanto mais rápido for a capacidade de perdoar e seguir em frente, recomeçar, mais difícil é de se criar os sentimentos negativos que citei acima.

Eu tenho a facilidade de esquecer coisas ruins. Algumas vezes digo que tenho memória ruim.

Rubem Alves diria que tenho memória boa: “Temos memória fraca? Não. Temos memória inteligente. Burras não são as memórias que esquecem, mas as memórias que nada esquecem... A memória inteligente esquece o que não faz sentido. A memória viaja leve. 

Não leva bagagem desnecessária. ”

Procuro não levar nada que possa me deprimir. Aproveito os acontecimentos ruins para crescer, me modificar, me edificar, evoluir. Se eu me lembrar dos detalhes, acabo com o relacionamento possível com o ator do mal.

Não sei se é o correto.

Mas tento ser leve.

Acabo não pedindo muitas desculpas, pois não guardo muitos rancores. Esqueço o mal que me fizeram e logo fico bem de novo. Claro, com pessoas que eu amo e que sei que me amam.

Pedras no sapato eu mantenho bem longe!