"Havia uma coleção de livros que eu cobiçava: "O tesouro da juventude". Quem tinha "O tesouro da juventude" era a dona Lilisa, aquela que ganhou 250 gramas de açucar. Quando a visitávamos, eu deixava os adultos conversando na sala de visitas e ia ler "O tesouro". Era um tipo de enciclopédia onde se encontrava de tudo. Um bufê de prazeres. Em qualquer página que se abrisse lá se encontrava um assombro. Mas era muito caro. Meu pai não podia. Nunca tive "O tesouro". Como nunca tive nem velocípede nem bicicleta. Até hoje não sei andar de bicicleta. Quem sabe, diz: "É só montar e sair pedalando". Eu sei fazer isso. De qualquer forma, andar de bicicleta para mim é como montar um cavalo bravo. Nunca sei que idéias ela tem, nunca sei o que ela vai fazer comigo. Agora é tarde demais pra aprender. Não posso tomar o risco de quebrar a bacia... Mas se eu encontrar um "O tesouro da juventude" num sebo eu compro, embora tudo o que está lá deva estar ultrapassado. Compro para realizar um desejo infantil. Mas, se encontrar uma bicicleta, eu não compro." (Rubem Alves)
Assim que li este texto, lembrei de mim, pequenininha, indo na casa da vó Diva. Lá tinha uma estantinha de livros que era meu paraíso. Eu largava os adultos na sala, e ia me sentar encostada na estante vendo quais livros eu ia ler.
A vó Diva até separou alguns que eu podia estragar, escrever, desenhar... Mas era uma enciclopédia velha, que ensinava tudo errado, segundo ela. A Barsa eu não podia estragar não. Era pra usar pra trabalho da escola.
Aprendi a gostar de ler com gibis e com os livros lindos e encantados que a vó Inge me dava e com a vó Amália que me ensinou a ler, de tanto que eu enchia a paciência dela pra ler as coisas pra mim... Minhas avós tem toda a culpa de eu ser apaixonada por livros...
Mas voltando à estante da Vó Diva, eu me deliciava mesmo era nos livros de história.
Chorei como louca no "Meu pé de laranja lima", do José Mauro de Vasconcelos. Aliás, nunca entendi porquê ninguém conhecia muito este autor. Tão bom... "Coração de Vidro", "O palácio Japonês", "Rosinha, minha canoa"... Tão lindos...
E tinha a coleção Ediouro... "Juca Mulato", poesias de Manuel Bandeira... Eu gostava mesmo era do livro de poesias do Guilherme de Almeida... Cheguei a decorar:
E "A Moreninha"? Meu primeiro romance... Ai que delícia ler aquele livro. Que dor que me dá saber que nunca mais vou ler este livro com tanta ansiedade e sem saber o final... Aquela sensação que senti da primeira vez que li foi a coisa mais linda que me lembro da época de leitura. Parecida com a que senti quando li "Senhora", do meu adorado José de Alencar. E a coleção do Machado de Assis? Era meu sonho. Acabei ganhando a coleção do Jorge Amado, quando a vó diva morreu. Mas eu não gosto de Jorge Amado. Só guardo por que era da vó.
A maioria dos livros eu lia ali, sentadinha no chão mesmo. Quando cresci um pouquinho a vó Diva deixava eu levar pra casa. Um de cada vez, pra eu não perder. Era tipo uma biblioteca.
O que eu sempre quis e nunca pude ter era a coleção inteira do Monteiro Lobato. Era muito cara. Minha mãe não podia me dar. Mas a vó Amália resolveu rapidinho: me ensinou o caminho do paraíso: Biblioteca!
Eu passava toda semana na biblioteca, pegar alguns livrinhos novos pra semana. Nunca concordei com o prazo de dez dias, e com a quantidade: 3 de cada vez? Nãaaaaooo!
Eu achava tanto livro que queria ler. 3 era muito pouco!
Entre idas e vindas, lá descobri o Marcos Rey. Que animal era ler: "O rapto do garoto de ouro", "Um cadáver ouve rádio", "O Mistério do Cinco Estrelas", "Enigma na televisão", "Um rosto no computador", "O diabo no porta-malas"...
Eu poderia ficar falando dos livros da juventude o dia inteiro. Que delícia!
E vocês do que lembram mais de terem lido e gostado quando eram crianças?
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
domingo, 15 de setembro de 2013
Longe
Longe...
Quando você fica mais longe de tudo, você muda o seu ângulo de visão de tudo.
Quando este distanciamento é involuntário, você reflete também o que isso pode trazer de crescimento ou simplesmente de acréscimo pra sua vida.
E traz.
Se você consegue aproveitar esta situação ou ao menos se dispor a aprender com ela, sem se preocupar em entender tantos porquês: de estar longe, de ter que ir, de querer voltar, de precisar voltar, de não poder voltar... Se você apenas se der a oportunidade de abstrair de tudo e tentar se render ao que ficou diante de você, quem sabe esta situação pode te surpreender:
“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.” (Clarice Lispector)
Ficar sozinho, conversar consigo mesmo. Ser sua melhor companhia. Se irritar consigo mesmo. Sentir saudade. Querer estar perto daquilo que é o que se entende seu. Ter medo da distância. Ter medo de possíveis mudanças. Ter medo de que o tempo longe mude o que era antes, quando você enfim retorna ao que era seu.
E o que era seu realmente? Como saber se o que você deixa por alguns momentos, e pensa que é seu, é de fato seu? Sempre que penso nisso lembro dessa frase:
"Amo a liberdade, por isso as coisas que amo deixo-as livres. Se voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as tive." (Bob Marley)
E é a pura verdade. Adiantaria cuidar de perto da menina dos seus olhos, se ela estivesse destinada a ser a menina dos olhos de outra pessoa? Adiantaria não se ausentar do seu posto por medo de perder espaço, se o seu posto não fosse efetivamente e seu e se a você estivesse algum posto muito melhor a espera?
As pessoas pensam que podem controlar as coisas. Podem induzir acontecimentos, prever futuros. E isso é ilusão. Podem ao máximo lutar pelo que querem, demonstrarem real interesse, cuidar perto ou longe. Mas o que de fato tem que ser acontece, querendo ou não.
E lidar com isso é o grande desafio da vida. Saber aceitar perdas, saber lidar com derrotas. Saber se adaptar com mudanças repentinas, ou com coisas que acontecem diferentes do que tínhamos pensado.
É a transitoriedade das coisas.
“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” (Fernando Teixeira de Andrade)
As travessias nos trazem surpresas. Podemos transitar por distâncias muito longas e chegarmos de volta ao mesmo lugar. O retorno pode ser ao mesmo lugar, mas com boas diferenças. Ou péssimas mudanças. O retorno pode trazer a dádiva do reconhecimento: as vezes, só damos valor às coisas quando ficamos sem elas... e a chance de recuperar algo perdido pode dar outro sentimento e ação ao que importa, no momento da volta.
O retorno pode também não acontecer. Pode ser que se vá à direção oposta. Ao novo. Ao que nunca se viu. Ao que se viu e não se queria. As coisas normalmente saem do controle.
Coragem mesmo é gostar de mudanças: "As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem." (Chico Buarque)
Saber conviver já pode ser um começo. Mas, confesso: Voltar pro que tanto se gosta é uma das coisas mais deliciosas do mundo.
Bom fim de semana pra todos
Quando você fica mais longe de tudo, você muda o seu ângulo de visão de tudo.
Quando este distanciamento é involuntário, você reflete também o que isso pode trazer de crescimento ou simplesmente de acréscimo pra sua vida.
E traz.
Se você consegue aproveitar esta situação ou ao menos se dispor a aprender com ela, sem se preocupar em entender tantos porquês: de estar longe, de ter que ir, de querer voltar, de precisar voltar, de não poder voltar... Se você apenas se der a oportunidade de abstrair de tudo e tentar se render ao que ficou diante de você, quem sabe esta situação pode te surpreender:
“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.” (Clarice Lispector)
Ficar sozinho, conversar consigo mesmo. Ser sua melhor companhia. Se irritar consigo mesmo. Sentir saudade. Querer estar perto daquilo que é o que se entende seu. Ter medo da distância. Ter medo de possíveis mudanças. Ter medo de que o tempo longe mude o que era antes, quando você enfim retorna ao que era seu.
E o que era seu realmente? Como saber se o que você deixa por alguns momentos, e pensa que é seu, é de fato seu? Sempre que penso nisso lembro dessa frase:
"Amo a liberdade, por isso as coisas que amo deixo-as livres. Se voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as tive." (Bob Marley)
E é a pura verdade. Adiantaria cuidar de perto da menina dos seus olhos, se ela estivesse destinada a ser a menina dos olhos de outra pessoa? Adiantaria não se ausentar do seu posto por medo de perder espaço, se o seu posto não fosse efetivamente e seu e se a você estivesse algum posto muito melhor a espera?
As pessoas pensam que podem controlar as coisas. Podem induzir acontecimentos, prever futuros. E isso é ilusão. Podem ao máximo lutar pelo que querem, demonstrarem real interesse, cuidar perto ou longe. Mas o que de fato tem que ser acontece, querendo ou não.
E lidar com isso é o grande desafio da vida. Saber aceitar perdas, saber lidar com derrotas. Saber se adaptar com mudanças repentinas, ou com coisas que acontecem diferentes do que tínhamos pensado.
É a transitoriedade das coisas.
“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” (Fernando Teixeira de Andrade)
As travessias nos trazem surpresas. Podemos transitar por distâncias muito longas e chegarmos de volta ao mesmo lugar. O retorno pode ser ao mesmo lugar, mas com boas diferenças. Ou péssimas mudanças. O retorno pode trazer a dádiva do reconhecimento: as vezes, só damos valor às coisas quando ficamos sem elas... e a chance de recuperar algo perdido pode dar outro sentimento e ação ao que importa, no momento da volta.
O retorno pode também não acontecer. Pode ser que se vá à direção oposta. Ao novo. Ao que nunca se viu. Ao que se viu e não se queria. As coisas normalmente saem do controle.
Coragem mesmo é gostar de mudanças: "As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem." (Chico Buarque)
Saber conviver já pode ser um começo. Mas, confesso: Voltar pro que tanto se gosta é uma das coisas mais deliciosas do mundo.
Bom fim de semana pra todos
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Ms Brightside
Sempre tento tirar lições de tudo. Ter sempre uma visão otimista e acabo me perguntando se faço isso pra me enganar ou se realmente penso isso.
Tenho muita resignação e desejo de me tornar mais afável nesta área mais percebo que o medo muitas vezes lança fora a semente da esperança ou a crença em que tudo pode dar certo.
Como é sofrível temer a tudo. Medo de ser, de não ser, de ir, de ficar, de tentar, de desistir. Medo de falar. Medo de mostrar fraquezas. Medo de mostrar uma força tão grande que não existe.
Rubem Alves, sempre aqui, diz que o "otimismo tem suas raízes no tempo; a esperança tem suas raízes na eternidade. O otimismo se alimenta de grandes coisas. Sem elas, ele morre. A esperança se alimenta de pequenas coisas. Nas pequenas coisas ela floresce. Basta-lhe um morango à beira do abismo”.
Será que me apego demais ou de menos ao morango no abismo? É uma linha tão tênue entre meu medo, meu otimismo, minha esperança.
Eu queria é aprender sempre a melhorar minha visão... "Há muitas pessoas que têm visão perfeita e nada vêem... O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido!" (Rubem Alves - de novo). Aprender a ver o que está diante de mim. A não duvidar. A acreditar. A ser real. A não fantasiar. A não dramatizar. Aprender a ver o que vale a pena. Aprender que não devia focar e ver só o lado ruim de tudo, como sempre faço. Aprender a ter coragem de viver e merecer o melhor. O bom. Tenho direito e mereço sim o que é bom. E se alcançar este bem, mereço aprender a cuidar e a cada vez mais merecer este bem e não ter medo de perder um bem, tornando-o um mal.
Medo. Meu otimismo, minha esperança ainda esbarram no medo.
Medo. Do que especificamente? De mudar? De perder? De ganhar? De ser? De fazer? De chorar? De sorrir? De entristecer? Ou o pior medo é o medo de ser feliz?
Dizem que a pessoa que nasce sem enxergar, tem sim uma vida restrita, mas que aquele que perdeu sua visão depois de enxergar perfeitamente sofre uma das mais duras das penas: ser privado de uma alegria. Seria o medo de ser privado de algo o algoz de tanta gente e de tanta coisa?
Que consigamos aquecer nosso coração. “Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro. Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração” (Rubem Alves). Quero isso pra mim. Ser contagiada pelas coisas boas que vemos, que sintimos, que vivemos. NÃo duvidar. E se por acaso o que notarmos a nossa volta forem coisas "secas" e tristes, que consigamos tirar de dentro de nós alguma força para que borbulhe de dentro um novo fôlego, a cada vez que precisarmos.
Camus sabia o que era esperança. “E no meio do inverno eu descobri que dentro de mim havia um verão invencível…”
Que este verão invencível nos permita fazer escolhas corajosas e melhor: que saibamos viver corajosamente, de um modo que valha a pena ter trilhado o caminho que trilhamos.
E você? Precisando de otimismo, esperança, coragem ou apenas querendo merecer o fruto da sua escolha?
Tenho muita resignação e desejo de me tornar mais afável nesta área mais percebo que o medo muitas vezes lança fora a semente da esperança ou a crença em que tudo pode dar certo.
Como é sofrível temer a tudo. Medo de ser, de não ser, de ir, de ficar, de tentar, de desistir. Medo de falar. Medo de mostrar fraquezas. Medo de mostrar uma força tão grande que não existe.
Rubem Alves, sempre aqui, diz que o "otimismo tem suas raízes no tempo; a esperança tem suas raízes na eternidade. O otimismo se alimenta de grandes coisas. Sem elas, ele morre. A esperança se alimenta de pequenas coisas. Nas pequenas coisas ela floresce. Basta-lhe um morango à beira do abismo”.
Será que me apego demais ou de menos ao morango no abismo? É uma linha tão tênue entre meu medo, meu otimismo, minha esperança.
Eu queria é aprender sempre a melhorar minha visão... "Há muitas pessoas que têm visão perfeita e nada vêem... O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido!" (Rubem Alves - de novo). Aprender a ver o que está diante de mim. A não duvidar. A acreditar. A ser real. A não fantasiar. A não dramatizar. Aprender a ver o que vale a pena. Aprender que não devia focar e ver só o lado ruim de tudo, como sempre faço. Aprender a ter coragem de viver e merecer o melhor. O bom. Tenho direito e mereço sim o que é bom. E se alcançar este bem, mereço aprender a cuidar e a cada vez mais merecer este bem e não ter medo de perder um bem, tornando-o um mal.
Medo. Meu otimismo, minha esperança ainda esbarram no medo.
Medo. Do que especificamente? De mudar? De perder? De ganhar? De ser? De fazer? De chorar? De sorrir? De entristecer? Ou o pior medo é o medo de ser feliz?
Dizem que a pessoa que nasce sem enxergar, tem sim uma vida restrita, mas que aquele que perdeu sua visão depois de enxergar perfeitamente sofre uma das mais duras das penas: ser privado de uma alegria. Seria o medo de ser privado de algo o algoz de tanta gente e de tanta coisa?
Que consigamos aquecer nosso coração. “Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro. Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração” (Rubem Alves). Quero isso pra mim. Ser contagiada pelas coisas boas que vemos, que sintimos, que vivemos. NÃo duvidar. E se por acaso o que notarmos a nossa volta forem coisas "secas" e tristes, que consigamos tirar de dentro de nós alguma força para que borbulhe de dentro um novo fôlego, a cada vez que precisarmos.
Camus sabia o que era esperança. “E no meio do inverno eu descobri que dentro de mim havia um verão invencível…”
Que este verão invencível nos permita fazer escolhas corajosas e melhor: que saibamos viver corajosamente, de um modo que valha a pena ter trilhado o caminho que trilhamos.
E você? Precisando de otimismo, esperança, coragem ou apenas querendo merecer o fruto da sua escolha?
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Partículas no tempo
Quando eu vi o filme Medianeras fiquei com muita vontade de conhecer certos lugares de Buenos Aires não pelo turismo em si, mas pra tentar ver se sentiria coisas parecidas com o que o filme mostrava no momento.
E um dos lugares que eu fiquei muito feliz de ter estado foi o Planetário Galileu Galilei, porque, pra começar eu não entendo nada de astros, estrelas, cometas, planetas e foi muito legal aprender sobre isso, mas também por que enquanto eu fiquei lá, sentada tipo como num cinema, olhando as estrelas eu senti tanta coisa boa, diferente, estranha.
Comecei a pensar no quanto a gente torna nossos problemas pesados, nossas dúvidas emblemáticas, nossos medos donos de nossas vidas.
Comecei a pensar que eu tão pequena aqui, não tenho o direito de complicar as coisas dentro de um universo que é tão bem feito, tão meticulosamente feito pra funcionar.
Que direito tenho eu de querer o caminho mais difícil, mais tortuoso, mais sofredor, se o que tenho na outra mão é um caminho tão cheio de paz, de alegria, de recompensa?
Quão difícil pode ser corrigir o que tá errado? Lutar pra tentar aquilo que se quer? Desistir daquilo que se quer quando aquilo só te trouxer tristezas? Abrir mão do que te faz sofrer? Abrir a mente pro novo? Dar uma chance pra coisas boas entrarem em sua vida?
Será que está mesmo tudo premeditado? O destino já está escrito? Somos marionetes apenas desempenhando nosso papel? Temos poder de escolha? O que eu posso decidir da minha vida enquanto ela tem pendências com outras vidas, lugares, fatos...
Não sei.
Olhar as estrelas mais de perto, no Planetário, me mostrou também que eu tenho medo. Tenho medo do que eu penso. Do que eu penso que penso. Tenho medo do que decido. Tenho medo do que não decido. Tenho medo de ficar. Tenho medo de ir. Tenho medo do sol parar de brilhar, como o filme das estrelas, apresentado no Planetário dizia que aconteceria. Sou tão pequena. Somos tão pequenos. Quem nos acode na hora deste medo?
Deus. Nossa família. Nossos amigos. Os anjos que Deus nos envia em forma de gente que a gente nunca devia deixar sair de perto da gente. E a gente sempre deixa toda essa gente ir embora em algum momento da vida. E por quê? Por quê ir embora quando se quer ficar? Por quê ficar quando se quer ir?
Por que complicar tanto tudo o que é pra ser tão fácil?
Quando se cresce e se para de fazer isso, num ciclo vicioso de erros que só fazem sofrer?
Perguntas que só precisariam de respostas tão simples. Perguntas que nem deveriam ser feitas de tão óbvias que são.
"What if there was no light
Nothing wrong nothing right
What if there was no time
And no reason or rhyme (...)
What if I got it wrong
And no poem or song
Could put right what I got wrong (...)
Every step that you take
Could be your biggest mistake
It could bend or it could break
That's the risk that you take" (Coldplay - What If)
E se, né?
Muitos acreditam na oração, na fé. Outros, no nada. Muitos na astrologia.
Horóscopo. Se teu horóscopo te dissesse que hoje o problema de sua vida seria resolvido, você acreditaria e esperaria que ele se resolvesse sozinho ou você se motivaria pelo que leu e iria resolvê-lo? E aí valeria o que seu horóscopo disse ou seria um efeito placebo master blaster envolvente?
Por isso prefiro acreditar na fé. Na sensação de que estou tentando fazer o melhor, apesar de nem sempre fazer o melhor.
O bom é ter algo em que se acreditar. Até sofrer fica mais reconfortante tendo alguém ou Alguém por perto.
Boa semana povo :)
domingo, 28 de julho de 2013
Franciscos
Difícil deixar passar o assunto Papa Francisco no Brasil. Até porque, independente da religião, o papa conquistou ao menos o respeito de todas as pessoas.
Simples, acessível, disponível, humilde se aproxima daquilo que pensamos ser o ideal para um líder religioso e até mesmo pra nós mesmos, por quê não.
Não quero falar da Jornada da Juventude e sim recordar algumas frases dele, em sua visita no Brasil.
“Penso que temos que dar testemunho de uma certa simplicidade - eu diria, inclusive, de pobreza. O povo sente seu coração magoado quando nós, as pessoas consagradas, são apegadas a dinheiro.”
Demorou, mas o Vaticano enfim deu o título mais alto da religião a um franciscano. O voto de pobreza traz a coerência de volta ao círculo da religião. Como ajudar aos mais pobres, ostentando tanta riqueza, tanto poder? Como estar próximo dos ensinamentos de Jesus, se o mesmo diz: "Mais fácil um camelo passar no buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus" e a própria igreja se manter tão distante e presa nos valores materiais?
“Com toda a franqueza lhe digo: não sei bem por que os jovens estão protestando. Esse é o primeiro ponto. Segundo ponto: um jovem que não protesta não me agrada. Porque o jovem tem a ilusão da utopia, e a utopia não é sempre ruim. A utopia é respirar e olhar adiante. O jovem é mais espontâneo, não tem tanta experiência de vida, é verdade. Mas às vezes a experiência nos freia. E ele tem mais energia para defender suas ideias. O jovem é essencialmente um inconformista. E isso é muito lindo! É preciso ouvir os jovens, dar-lhes lugares para se expressar, e cuidar para que não sejam manipulados.”
Embora o "não saber" sobre o por que do protesto dos jovens, o papa talvez busque a reflexão dos jovens neste assunto. Por quê você está protestando? Qual a razão que te leva a rua? Qual a sua causa?
Enaltecer o inconformismo na busca de algo melhor ou supostamente mais justo é o caminho da evolução que tanto buscamos. Não?
"Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. Efésios 4:14"
Meninos inconstantes precisam de maturidade para decidir, aceitar, lutar, viver, melhorar quaisquer realidades enfrentadas. Encorajar a juventude e as pessoas de modo geral a não aceitarem mais qualquer atitude que lhes é oferecida é uma das atitudes mais formidáveis que um homem na posição de Francisco pode fazer pelo bem maior.
Ser inconformista não é ser chato. Não é ser revoltado. É ser consciente do bem estar coletivo e seu próprio. É cuidar do próximo. É ter amor ao próximo. É viver sem simplesmente existir.
A entrevista toda do papa para o Fantástico está aqui. Vale a pena assistir. E fatalmente, acabo relacionamento o codinome escolhido pelo Papa, Francisco, e me lembro de outro Francisco, com princípios parecidos ao do Papa, e com ensinamentos grandiosos também... Nosso Chico Xavier.
Ensinamentos lindos e extensos. Grande bibliografia, falta de reconhecimento do santo que tentava trazer o bem e ensinar o bem.
Separei algumas frases que eu gosto muito e convido quem não o conhece a ler mais sobre este homem do bem, que, independente da religião de cada um, trouxe ensinamentos de amor ao próximo e simplicidade. Muito semelhantes ao do Papa Francisco.
"Se tiver que amar, ame hoje. Se tiver que sorrir, sorria hoje. Se tiver que chorar, chore hoje. Pois o importante é viver hoje. O ontem já foi e o amanhã talvez não venha."
"Agradeço todas as dificuldades que enfrentei; não fosse por elas, eu não teria saído do lugar."
"Na vida, não vale tanto o que temos, nem tanto importa o que somos. Vale o que realizamos com aquilo que possuímos e, acima de tudo, importa o que fazemos de nós!"
"A sabedoria superior tolera, a inferior julga; a superior perdoa, a inferior condena. Tem coisas que o coração só fala para quem sabe escutar!"
"Na vida, não vale tanto o
que temos, nem tanto importa o que somos.
Vale o que realizamos com aquilo que possuímos e, acima de tudo, importa o que fazemos de nós!"
"Ninguém cruza nosso caminho por acaso e nós não entramos na vida de alguém sem nenhuma razão."
Boa semana pra gente! :)
Simples, acessível, disponível, humilde se aproxima daquilo que pensamos ser o ideal para um líder religioso e até mesmo pra nós mesmos, por quê não.
Não quero falar da Jornada da Juventude e sim recordar algumas frases dele, em sua visita no Brasil.
“Penso que temos que dar testemunho de uma certa simplicidade - eu diria, inclusive, de pobreza. O povo sente seu coração magoado quando nós, as pessoas consagradas, são apegadas a dinheiro.”
Demorou, mas o Vaticano enfim deu o título mais alto da religião a um franciscano. O voto de pobreza traz a coerência de volta ao círculo da religião. Como ajudar aos mais pobres, ostentando tanta riqueza, tanto poder? Como estar próximo dos ensinamentos de Jesus, se o mesmo diz: "Mais fácil um camelo passar no buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus" e a própria igreja se manter tão distante e presa nos valores materiais?
“Com toda a franqueza lhe digo: não sei bem por que os jovens estão protestando. Esse é o primeiro ponto. Segundo ponto: um jovem que não protesta não me agrada. Porque o jovem tem a ilusão da utopia, e a utopia não é sempre ruim. A utopia é respirar e olhar adiante. O jovem é mais espontâneo, não tem tanta experiência de vida, é verdade. Mas às vezes a experiência nos freia. E ele tem mais energia para defender suas ideias. O jovem é essencialmente um inconformista. E isso é muito lindo! É preciso ouvir os jovens, dar-lhes lugares para se expressar, e cuidar para que não sejam manipulados.”
Embora o "não saber" sobre o por que do protesto dos jovens, o papa talvez busque a reflexão dos jovens neste assunto. Por quê você está protestando? Qual a razão que te leva a rua? Qual a sua causa?
Enaltecer o inconformismo na busca de algo melhor ou supostamente mais justo é o caminho da evolução que tanto buscamos. Não?
"Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. Efésios 4:14"
Meninos inconstantes precisam de maturidade para decidir, aceitar, lutar, viver, melhorar quaisquer realidades enfrentadas. Encorajar a juventude e as pessoas de modo geral a não aceitarem mais qualquer atitude que lhes é oferecida é uma das atitudes mais formidáveis que um homem na posição de Francisco pode fazer pelo bem maior.
Ser inconformista não é ser chato. Não é ser revoltado. É ser consciente do bem estar coletivo e seu próprio. É cuidar do próximo. É ter amor ao próximo. É viver sem simplesmente existir.
A entrevista toda do papa para o Fantástico está aqui. Vale a pena assistir. E fatalmente, acabo relacionamento o codinome escolhido pelo Papa, Francisco, e me lembro de outro Francisco, com princípios parecidos ao do Papa, e com ensinamentos grandiosos também... Nosso Chico Xavier.
Ensinamentos lindos e extensos. Grande bibliografia, falta de reconhecimento do santo que tentava trazer o bem e ensinar o bem.
Separei algumas frases que eu gosto muito e convido quem não o conhece a ler mais sobre este homem do bem, que, independente da religião de cada um, trouxe ensinamentos de amor ao próximo e simplicidade. Muito semelhantes ao do Papa Francisco.
"Se tiver que amar, ame hoje. Se tiver que sorrir, sorria hoje. Se tiver que chorar, chore hoje. Pois o importante é viver hoje. O ontem já foi e o amanhã talvez não venha."
"Agradeço todas as dificuldades que enfrentei; não fosse por elas, eu não teria saído do lugar."
"Na vida, não vale tanto o que temos, nem tanto importa o que somos. Vale o que realizamos com aquilo que possuímos e, acima de tudo, importa o que fazemos de nós!"
"A sabedoria superior tolera, a inferior julga; a superior perdoa, a inferior condena. Tem coisas que o coração só fala para quem sabe escutar!"
"Na vida, não vale tanto o
que temos, nem tanto importa o que somos.
Vale o que realizamos com aquilo que possuímos e, acima de tudo, importa o que fazemos de nós!"
"Ninguém cruza nosso caminho por acaso e nós não entramos na vida de alguém sem nenhuma razão."
Boa semana pra gente! :)
sábado, 20 de julho de 2013
Tempo
Queria ter mais tempo pra ter tempo de outras coisas.
Tempo pra me cuidar, tempo pra cuidar de quem gosto, tempo pra perder tempo com meus filmes, livros, bugingangas. Tempo pra gastar como eu quiser.
Queria ter mais tempo, pra não precisar ser tão imediatista, pra não querer tudo com tanta urgência. Queria ter mais tempo para poder ter mais leveza na minha vida.
Queria ter mais tempo pra dormir. Queria ter mais tempo pra viajar. Queria ter mais tempo pra mim.
Pra variar, meu Rubem Alves fala algo que me toca: "Mas é preciso escolher. Porque o tempo foge. Não há tempo para tudo. Não poderei escutar todas as músicas que desejo, não poderei ler todos os livros que desejo, não poderei abraçar todas as pessoas que desejo. É necessário aprender a arte de “abrir mão” – a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial."
E como saber o que é o essencial? Essencial é aquilo que te faz bem e que precisa de você para estar bem. Família, amigos e todos aqueles que amamos.
Hoje o essencial foi me perder no tempo com as amigas mais incríveis que se pode ter. Conversar filosofando, questionar valores, histórias, pessoas, verdades, mentiras. Essencial esse tempo, ainda mais hoje, Dia do amigo.
Essencial meu esporte, que me liberta, me tranquiliza, me faz relaxar, me faz pensar, melhora minha saúde.
Essencial minha família que é meu tudo, que me deixa maluca, mas é aquilo que eu amo.
Essencial é tudo aquilo que me faz bem, me faz melhor.
(...)
Essencial é Deus, guiando tudo, cuidando de tudo.
E com todo este conceito inacabado de essencial, porque não cabe tudo isso dentro do tempo?
Por quê o tempo que eu quero ter acabo não tendo? Por quê passo mais tempo trabalhando do que com aqueles que eu amo? (nada contra trabalhar... questiono aqui a divisão não igualitária do tempo pras coisas essenciais - e sim trabalho é essencial: Dignifica o homem!)
Eu percebo que a falta de tempo me deixa ansiosa, me deixa nervosa.
Hoje pensei o quanto o tempo está passando, quantas coisas quero fazer e quantas coisas precisam ser feitas num curto espaço de tempo. E quanto muito provavelmente não conseguirem fazer. E o quanto eu não deveria me preocupar com isso tudo.
Chave da felicidade será? Não pensar tanto quanto eu penso, em tudo?
Não sei lidar com o tempo. Desde com a falta de tempo pra tudo, com o tempo que não passa quando quero muito alguma coisa, com o tempo de chuva quando quero andar de bicicleta, com o tempo de sol que não vem quando estou na praia, com o tempo do relógio de sexta-feira que não passa ou anda pra trás antes de sairmos do trabalho. Com o tempo que tenho que esperar pra voltar a fazer as coisas que gosto, enquanto meu pé está sarando. Com o tempo que demora pro meu aniversário chegar: está cada vez mais rápido - por favor, Tempo, passe devagar para isso...
Tem tanta coisa pra falar sobre o tempo... Desde Chronos, que na mitologia grega, era a personificação do tempo, até os outros conceitos para o tempo: enquanto Chronos referia-se ao tempo cronológico, ou sequencial, que podia ser medido, Kairos referia-se a um momento indeterminado no tempo, em que algo especial acontecia, "Aion" já era um tempo sagrado e eterno, sem uma medida precisa, um tempo da criatividade onde as horas não passavam cronologicamente, onde na teologia moderna é o tempo de Deus.
Bonito isso né?
Nem dá pra saber sobre qual tempo eu estava refletindo no início do tempo. Só sei que agora espero um Kairos, que virá com certeza em um Aion, dentro do Chronos.
Poético isso, não?
Boa semana pra todo mundo, com mais tempo!
terça-feira, 9 de julho de 2013
Com quem você quer envelhecer?
Eu nunca tinha pensado nisso. Com quem eu quero envelhecer? Mas alguém me perguntou isso e eu não soube responder na hora. Mas fiquei incomodada pensando tanto nisso.
E quis, tentar, saber responder isso.
Primeiro, pensei no que seria envelhecer. Sim, ficar velho. Mas o que mais? Ter uma menor mobilidade, ter menos disposição, ter mais tempo, ter mais doenças talvez, ter mais sabedoria, ter menos paciência, ter uma aparência pior do que a de hoje talvez? Ver a morte se aproximar e levar pessoas queridas.
Envelhecer é todo um processo. E ter alguém do meu lado nisso é o que eu mais desejo no mundo. Alguém pra cuidar de mim. Alguém pra eu cuidar. Alguém pra eu ficar conversando nos momentos de ócio. Alguém pra me lembrar de ir no médico, tomar remédio. Alguém pra ver filmes comigo. Alguém pra viajar comigo. Alguém pra almoçar e jantar, quando os filhos já não tiverem mais em casa. Alguém pra estar toda noite me ajudando a esquentar.
Alguém que me ame, apesar das rugas novas. Alguém que lembre o quanto antes eu fui mais bonita, mas que ainda me olhe com o mesmo desejo, amor e cuidado.
Rubem Alves disse "Velhice é quando a gente começa a ser tratado como "objeto de respeito" e não como "objeto do desejo". Mas o que quero não é ser olhado com respeito, mas com desejo..." Quem eu quero pra estar comigo quando eu envelhecer é o meu companheiro de toda a vida, que me olhe sim com o mesmo respeito de sempre, mas que nunca perca o desejo de me amar e fazer feliz.
E como saber quem é a pessoa com quem eu quero envelhecer?
Posso não saber quem é, mas sei o que deve ou deveria ter.
Alguém que goste de coisas parecidas com as quais eu gosto. Alguém que tenha os mesmos defeitos. Alguém que possa ficar deitado sem fazer nada, só conversando, ou mostrando bobeiras no computador ou na TV.
Alguém que me admire. Não só fisicamente, mas alguém que eu saiba e sinta que tenha um certo orgulho ou prazer de me ver como eu sou. Aliás, alguém com quem eu possa me soltar e ser como sou. Alguém que eu tenha liberdade pra contar meus medos, chorar, ficar com o nariz vermelho e inchado e não me importar com isso.
Alguém que faça bem apenas com uma mensagem de bom dia, com uma ligação inesperada. Alguém que só por estar ao me lado me traga paz. Alguém que acelere meu coração quando está para vir, que me faça tremer com um simples beijo mas que me encha de paz. Complexo pensar na adrenalina que traz paz. Mas a pessoa que eu quero envelhecer terá isso.
Alguém que quando eu perco por um instante, perco a paz também. "É tão ruim, não tem sentido, prazer, não há nada", como diria Lobão.
Alguém que consiga me dar um golpe de alegria e estímulo quando eu estiver triste. Alguém que se preocupe com os meu problemas. Alguém que me ajude. Alguém que queira de verdade me ajudar.
Alguém que não esteja ocupado em me mudar. Alguém que me ame como eu sou. Cheia de defeitos. Alguém que me respeite.
Alguém que "conforte a minha dor com atenção", como diriam os Detonautas. Alguém quem seja meu esconderijo, meu refúgio, meu momento de prazer e calma.
Alguém que "quando o tempo fecha e o céu quer desabar, perto do limite difícil de aguentar... Aí eu volto pra casa e te peço pra ficar... Em silêncio, só ficar...", como cantaria Humberto Gessinger.
Alguém com quem eu possa falar absurdos, coisas sem lógica, "falar da cor dos temporais, do céu azul, das flores de abril, pensar além do bem e do mal, lembrar de coisas que ninguém viu", como diria MIlton Nascimento ou "contar meus pesadelos e até minhas coisas fúteis... Alguém que eu possa tirar a roupa e fazer o que eu quiser" como canta o Jota Quest.
Alguém que com um simples beijo ou um abraço, ou até mesmo um olhar, de longe, queime o meu coração. Alguém que não deixe os meus olhos mentirem, nem fugirem.
Alguém que se, não estiver perto, faça tanta falta, que aperte o peito, tire a fome e o sono. Mas que quando volte, faça bem.
Alguém que vire motivo e tema de todas as letras de músicas. Alguém que faça as melodias até doerem por dentro.
Alguém que as vezes leve embora meu juízo e me faça cometer algumas loucuras.
Alguém que quando está ao meu lado eu perceba o quanto é simples amar. Alguém que mereça este amor que eu nunca soube dar.
Alguém que eu ache lindo mesmo com todos os defeitos. Alguém que seja o mais atraente pra mim. E alguém que goste do meu nariz grande, da orelha torta e da minha monocova.
Alguém que me ache linda até chorando.
Alguém que me faça ter vontade de ter uma família, ter filhos, cuidar.
E como cantariam os Semisonics, alguém que quando eu souber quem seja, eu possa dizer com certeza que eu já sei quem é a pessoa que eu quero que me leve pra casa... E cantarei contente o refrão mais fofo do mundo: "I know who I want to take me home..."
E você, sabe responder de pronto, com quem você quer envelhecer?
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