Você já imaginou se você sumisse?
Dentre as coisas que você é, faz, tem, já parou pra pensar como seria se não mais as fosse, fizesse ou tivesse?
Se por um minuto você pensar que a si mesmo não perceberia essa falta, o que causaria nos que estão próximos de você a sua própria ausência?
O tom da sua voz faria falta? Os comentários chatos? As piadinhas peculiares? Os medos de sempre?
A sua desorganização faria falta enfim?
Sua insegurança, sua cobrança, sua chatice: faria falta?
Fácil não sentir falta de coisas ruins...
Mas e a atenção que você dá? E o consolo que você proporciona? Seus ouvidos atentos e ansiados pra ajudar? Seu cuidado. Seu carinho. Faz falta para o próximo?
Até que ponto o seu sumiço muda a vida de alguém?
Olhe a sua volta? do que é feito o que tem ao seu lado? São só coisas suas? Reparo aqui e vejo fotos, presentes que me lembram coisas, pessoas e situações. Se eu as perdesse, ainda teriam valor essas lembranças?
Fico constantemente me lembrando do filme Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembrança e penso, e se sou eu quem eventualmente suma? Como ficaria tudo?
Eu faria falta simplesmente por ser quem sou? E não num contexto de mãe, filha, irmã, neta, sobrinha, prima, amiga, namorada, esposa... Como pessoa, sentiriam a minha falta? Faço diferença no dia de alguém? A minha risada alegra outra pessoa? Minhas palavras servem de consolo ou força pra alguém? Meu reconhecimento, elogio, confissão tornam alguém mais feliz? Meu sorriso de alegria contagia? Minhas lágrimas de tristeza trazem a preocupação de alguém? Meu abraço, minha entrega farão falta se desaparecerem?
E assim tento pensar se o caminho que tenho andado, se o que tenho feito sem notar faz com que todas as respostas para asa perguntas do parágrafo anterior sejam: "Sim, eu sentiria sua falta. Não imagino meu dia sem sua presença".
Acredito que mais que acumular riquezas, posses, quantidades... O que mais me preencheria de alegria seria saber que teria muitas respostas Sim para as minhas inquietações.
Reflita também... Você é importante pra alguém? E você dá importância pra quem se importa? Se você perdesse tudo de bens que possui, teria a força de começar de novo por saber que têm pessoas que se importam por perto?
Tomara que sim :) Boa semana!!!
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
domingo, 22 de dezembro de 2013
O presépio
"Menino, lá em Minas, eu tinha inveja dos católicos. Eu era protestante sem saber o que fosse isso. Sabia que, pelo Natal, a gente armava árvores com flocos de algodão imitando neve que não sabíamos o que fosse. Já os católicos faziam presépios. Os pinheiros eram bonitos mas não me comoviam como o presépio: uma estrela no céu, uma cabaninha na terra coberta de sapé, Maria, José, os pastores, ovelhas, vacas, burros, misturados com reis e anjos numa mansa tranquilidade, os campos iluminados com a glória de Deus, milhares de vagalumes acendendo e apagando suas luzes, tudo por causa de uma criancinha. A contemplação de uma criancinha amansa o universo. O Natal anuncia que o universo é o berço de uma criança.
Até os católicos mais humildes faziam um presépio. As despidas salas de visita se transformavam em lugares sagrados. As casas ficavam abertas para quem quisesse se juntar aos reis, pastores e bichos. E nós, meninos, pés descalços, peregrinávamos de casa em casa para ver a mesma cena repetida e beijar a fita.
Nós fazíamos nossos próprios presépios. Os preparativos começavam bem antes do Natal. Enchíamos latas vazias de goiabada com areia, e nelas semeávamos alpiste ou arroz. Logo os brotos verdes começavam a aparecer. O cenário do nascimento do Menino Jesus tinha de ser verdejante. Sobre os brotos verdes espalhávamos bichinhos de celulóide. Naquele tempo ainda não havia plástico. Tigres, leões, bois, vacas, macacos, elefantes, girafas. Sem saber, estávamos representando o sonho do profeta que anunciava o dia em que os leões haveriam de comer capim junto com os bois e as crianças haveriam de brincar com as serpentes venenosas. A estrebaria, nós mesmos a fazíamos com bambus. E as figuras que faltavam nós as completávamos artesanalmente com bonequinhos de argila. Tinha também de haver um laguinho onde nadavam patos e cisnes, que se fazia com um pedaço de espelho quebrado. Não importava que os patos fossem maiores que os elefantes. No mundo mágico tudo é possível. Era uma cena “naif”. Um presépio verdadeiro tem de ser infantil.
E as figuras mais desproporcionais nessa cena tranqüila éramos nós mesmos. Porque, se construímos o presépio, era porque nós mesmos gostaríamos de estar dentro da cena. Não era possível estar dentro da árvore de Natal... Éramos adoradores do Menino, juntamente com os bichos, as estrelas, os reis e os pastores.
Será que essa história aconteceu de verdade? Foi daquele jeito descrito pelas Escrituras Sagradas? As crianças sabem que isso é irrelevante. Elas ouvem a história e a história acontece de novo. Não querem explicações. Não querem interpretações. A beleza da estória lhes basta. O belo é verdadeiro. Os teólogos que fiquem longe do presépio. Suas interpretações complicam o mundo.
A saudade nos enche a alma. O presépio nos faz querer “voltar para lá, para aquele lugar onde as coisas são sempre assim, banhadas por uma luz antiquíssima e ao mesmo tempo acabada de nascer. Nós também somos de lá. Estamos encantados. Adivinhamos que o nosso mundo é um outro...” (Octávio Paz)"
(O presépio - Rubem Alves)
Quando penso em Natal, não consigo não pensar em família. Não consigo não resgatar minhas memórias de criança, do tempo em que o Natal demorava tanto pra chegar e que era uma festa carregada de magia.
Hoje o Natal chega rapidinho. Tão rapidinho que no dia 24, a tarde, eu ainda não sei que roupa vou vestir ou o que eu deixei de fazer no trabalho.
Ser adulto tira um pouco a imagem mágica da festa tão linda que minha mãe me ensinou a cultivar. Lembrar que o menino Salvador nasceu e comemorar que temos uma família e bençãos devida a graça d´Ele.
O que mais me tocou no texto do lindo do Rubem Alves, foi o sentimento de admiração que hoje sinto longe das pessoas em geral.
Lembro que na casa da minha bisavó tinha todo ano um presépio lindo. E eu achava mesmo que era sagrado. Minha irmã e eu ficávamos paradas, olhando, admirando os boizinhos, as vaquinhas, os reis, as terrinhas feita de pó de serra, e o laguinho que na verdade era um pedaço de espelho.
Teve um ano que eu levei um boizinho embora pra minha casa. Remorso. Roubei uma coisa sagrada. Pedi mil perdões pra Deus, achava que eu ia diretinho pro inferno, e só ia poder devolver o boizinho no ano que vem, no próximo presépio. Que saudade me deu lembrar disso...
Lembrei também da minha tia de criação que montava o presépio. A Maria. Irmã postiça do meu avô... Negra sofrida, que mais parecia uma menina. Era ela a responsável por montar todo ano aquela coisa sagrada.
E hoje, pela primeira vez, em muito tempo, lembrei dela com tanta saudade, com a admiração, com dó. Era uma menina no corpo de uma senhora sofrida. Não teve muitas bonecas, muitos brinquedos... Quando cresceu, não teve muitos namorados. Vivia pra cuidar da minha bisavó. Mas lembro que no "Natar", como ela falava, montar o presépio era um presente pra ela.
Que saudade dela. Do presépio. Do sentimento de ser criança. De valorizar essas pequenas coisas que hoje passo tão batido.
Saudade de admirar e esperar a montagem da árvore de Natal. Minha mãe cada ano monta uma mais bonita. E eu muitas vezes não percebo a beleza disso.
Talvez isso tudo seja causado pela falta de crianças em casa. As crianças iluminam os ambientes e fazem com que os adultos aprendam a ser um pouco mais infantis - e felizes - do que o normal.
Enfim, esta mensagem de Natal ficou mais triste do que eu esperava e queria.
Que na verdade, fique pra cada um a mensagem de se amar um ao outro, e cuidar e valorizar a família. Agradecer ao Deus que nos salvou e nos dá a cada dia um sentido pra viver.
Feliz Natal pra todos!
Até os católicos mais humildes faziam um presépio. As despidas salas de visita se transformavam em lugares sagrados. As casas ficavam abertas para quem quisesse se juntar aos reis, pastores e bichos. E nós, meninos, pés descalços, peregrinávamos de casa em casa para ver a mesma cena repetida e beijar a fita.
Nós fazíamos nossos próprios presépios. Os preparativos começavam bem antes do Natal. Enchíamos latas vazias de goiabada com areia, e nelas semeávamos alpiste ou arroz. Logo os brotos verdes começavam a aparecer. O cenário do nascimento do Menino Jesus tinha de ser verdejante. Sobre os brotos verdes espalhávamos bichinhos de celulóide. Naquele tempo ainda não havia plástico. Tigres, leões, bois, vacas, macacos, elefantes, girafas. Sem saber, estávamos representando o sonho do profeta que anunciava o dia em que os leões haveriam de comer capim junto com os bois e as crianças haveriam de brincar com as serpentes venenosas. A estrebaria, nós mesmos a fazíamos com bambus. E as figuras que faltavam nós as completávamos artesanalmente com bonequinhos de argila. Tinha também de haver um laguinho onde nadavam patos e cisnes, que se fazia com um pedaço de espelho quebrado. Não importava que os patos fossem maiores que os elefantes. No mundo mágico tudo é possível. Era uma cena “naif”. Um presépio verdadeiro tem de ser infantil.
E as figuras mais desproporcionais nessa cena tranqüila éramos nós mesmos. Porque, se construímos o presépio, era porque nós mesmos gostaríamos de estar dentro da cena. Não era possível estar dentro da árvore de Natal... Éramos adoradores do Menino, juntamente com os bichos, as estrelas, os reis e os pastores.
Será que essa história aconteceu de verdade? Foi daquele jeito descrito pelas Escrituras Sagradas? As crianças sabem que isso é irrelevante. Elas ouvem a história e a história acontece de novo. Não querem explicações. Não querem interpretações. A beleza da estória lhes basta. O belo é verdadeiro. Os teólogos que fiquem longe do presépio. Suas interpretações complicam o mundo.
A saudade nos enche a alma. O presépio nos faz querer “voltar para lá, para aquele lugar onde as coisas são sempre assim, banhadas por uma luz antiquíssima e ao mesmo tempo acabada de nascer. Nós também somos de lá. Estamos encantados. Adivinhamos que o nosso mundo é um outro...” (Octávio Paz)"
(O presépio - Rubem Alves)
Quando penso em Natal, não consigo não pensar em família. Não consigo não resgatar minhas memórias de criança, do tempo em que o Natal demorava tanto pra chegar e que era uma festa carregada de magia.
Hoje o Natal chega rapidinho. Tão rapidinho que no dia 24, a tarde, eu ainda não sei que roupa vou vestir ou o que eu deixei de fazer no trabalho.
Ser adulto tira um pouco a imagem mágica da festa tão linda que minha mãe me ensinou a cultivar. Lembrar que o menino Salvador nasceu e comemorar que temos uma família e bençãos devida a graça d´Ele.
O que mais me tocou no texto do lindo do Rubem Alves, foi o sentimento de admiração que hoje sinto longe das pessoas em geral.
Lembro que na casa da minha bisavó tinha todo ano um presépio lindo. E eu achava mesmo que era sagrado. Minha irmã e eu ficávamos paradas, olhando, admirando os boizinhos, as vaquinhas, os reis, as terrinhas feita de pó de serra, e o laguinho que na verdade era um pedaço de espelho.
Teve um ano que eu levei um boizinho embora pra minha casa. Remorso. Roubei uma coisa sagrada. Pedi mil perdões pra Deus, achava que eu ia diretinho pro inferno, e só ia poder devolver o boizinho no ano que vem, no próximo presépio. Que saudade me deu lembrar disso...
Lembrei também da minha tia de criação que montava o presépio. A Maria. Irmã postiça do meu avô... Negra sofrida, que mais parecia uma menina. Era ela a responsável por montar todo ano aquela coisa sagrada.
E hoje, pela primeira vez, em muito tempo, lembrei dela com tanta saudade, com a admiração, com dó. Era uma menina no corpo de uma senhora sofrida. Não teve muitas bonecas, muitos brinquedos... Quando cresceu, não teve muitos namorados. Vivia pra cuidar da minha bisavó. Mas lembro que no "Natar", como ela falava, montar o presépio era um presente pra ela.
Que saudade dela. Do presépio. Do sentimento de ser criança. De valorizar essas pequenas coisas que hoje passo tão batido.
Saudade de admirar e esperar a montagem da árvore de Natal. Minha mãe cada ano monta uma mais bonita. E eu muitas vezes não percebo a beleza disso.
Talvez isso tudo seja causado pela falta de crianças em casa. As crianças iluminam os ambientes e fazem com que os adultos aprendam a ser um pouco mais infantis - e felizes - do que o normal.
Enfim, esta mensagem de Natal ficou mais triste do que eu esperava e queria.
Que na verdade, fique pra cada um a mensagem de se amar um ao outro, e cuidar e valorizar a família. Agradecer ao Deus que nos salvou e nos dá a cada dia um sentido pra viver.
Feliz Natal pra todos!
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
A gente leva da vida a vida que a gente leva
"O que vale mais a pena - colocar mais vida em nossos anos ou mais anos em nossas vidas"? (Eduardo Giannetti)
Ao
ler esta frase me peguei pensando em quantos anos eu tenho colocado em
minha vida sem significado algum. Quantas tardes perdidas no desespero,
na angústia do olhar pro nada. Quantas noites mal dormidas, quantos
filmes não vistos, quantos livros não lidos, quantas viagens não feitas,
quantos vinhos não degustados na companhia de alguém especial, quantos
beijos não dados, quantos abraços não dados, quantas risadas não dadas.
Quanto tudo não feito. Quanto tempo jogado fora.
Fiquei assustada pensando o quanto adio minha felicidade. O quanto eu adio decisões. O quanto eu adio sim´s e não´s. O quanto eu prolongo esperas. O quanto eu me anseio com esperas, o quanto eu me permito ficar nervosa e triste nas esperas, enquanto uma simples decisão poderia mudar tudo. Novo começo ou novo fim. Mas algo novo.
Percebi o quanto rezo menos nestes momentos de angústia. E lembrei de Oscar Wilde com "Quando os deuses querem nos punir eles atendem as nossas preces"... Será este o medo da oração? Que recebamos exatamente aquilo que pedimos e tenhamos medo de lidar com a dádiva recebida? (mas já falei sobre isso no post anterior...).
Refleti também que estamos sempre perdendo tempo. Mesmo sem querer...
"MINHA FORMAÇÃO filosófica impõe-me o uso preciso das palavras porque as palavras devem revelar o ser. E é assim, usando de forma precisa as palavras, comunico aos meus leitores que ontem, dia 15 de setembro, eu desfiz 75 anos...
Haverá leitores que se apressarão a corrigir meu uso estranho, nunca visto, da palavra "desfazer", atribuindo-o, quem sabe, a um início do mal de Alzheimer. Todo mundo sabe que, para se anunciar um aniversário, o certo é dizer "fiz" tantos anos. No meu caso, "fiz" 75 anos...
Mas o verbo "fazer" sugere algo que aumenta, um crescimento do ser, o artista e o artesão "fazem"...
Mas, que ser aumenta com a passagem do tempo, esse monstro que devora os seus filhos? O que aumenta é o vazio. Esses anos que o aniversariante distraído anuncia como anos que ele fez são, precisamente, os anos que ele desfez, o tempo que já passou, que deixou de ser, os anos que o tempo devorou.
Por isso acho um equívoco filosófico perguntar a alguém: "Quantos anos você tem?". O certo seria perguntar "quantos anos você não tem?". E ela responderia "não tenho 42 anos", "não tenho 28 anos". Porque esse número de anos indica precisamente os anos que ela não tem mais. Nos aniversários, então, a maneira correta de se dirigir ao aniversariante é perguntando-lhe "quantos anos você está desfazendo hoje?" (Rubem Alves)
Enquanto desfazemos anos, que saibamos acrescentar valores. Dar Siginificado ao tempo que nos passa, ou que passa por nós. Que saibamos desfrutar de verdade do sentido da alegria, da felicidade, do amor. Pois no fringir dos ovos, o que a gente leva da vida é a vida que a gente leva...
Quanto tudo não feito. Quanto tempo jogado fora.
Fiquei assustada pensando o quanto adio minha felicidade. O quanto eu adio decisões. O quanto eu adio sim´s e não´s. O quanto eu prolongo esperas. O quanto eu me anseio com esperas, o quanto eu me permito ficar nervosa e triste nas esperas, enquanto uma simples decisão poderia mudar tudo. Novo começo ou novo fim. Mas algo novo.
Percebi o quanto rezo menos nestes momentos de angústia. E lembrei de Oscar Wilde com "Quando os deuses querem nos punir eles atendem as nossas preces"... Será este o medo da oração? Que recebamos exatamente aquilo que pedimos e tenhamos medo de lidar com a dádiva recebida? (mas já falei sobre isso no post anterior...).
Refleti também que estamos sempre perdendo tempo. Mesmo sem querer...
"MINHA FORMAÇÃO filosófica impõe-me o uso preciso das palavras porque as palavras devem revelar o ser. E é assim, usando de forma precisa as palavras, comunico aos meus leitores que ontem, dia 15 de setembro, eu desfiz 75 anos...
Haverá leitores que se apressarão a corrigir meu uso estranho, nunca visto, da palavra "desfazer", atribuindo-o, quem sabe, a um início do mal de Alzheimer. Todo mundo sabe que, para se anunciar um aniversário, o certo é dizer "fiz" tantos anos. No meu caso, "fiz" 75 anos...
Mas o verbo "fazer" sugere algo que aumenta, um crescimento do ser, o artista e o artesão "fazem"...
Mas, que ser aumenta com a passagem do tempo, esse monstro que devora os seus filhos? O que aumenta é o vazio. Esses anos que o aniversariante distraído anuncia como anos que ele fez são, precisamente, os anos que ele desfez, o tempo que já passou, que deixou de ser, os anos que o tempo devorou.
Por isso acho um equívoco filosófico perguntar a alguém: "Quantos anos você tem?". O certo seria perguntar "quantos anos você não tem?". E ela responderia "não tenho 42 anos", "não tenho 28 anos". Porque esse número de anos indica precisamente os anos que ela não tem mais. Nos aniversários, então, a maneira correta de se dirigir ao aniversariante é perguntando-lhe "quantos anos você está desfazendo hoje?" (Rubem Alves)
Enquanto desfazemos anos, que saibamos acrescentar valores. Dar Siginificado ao tempo que nos passa, ou que passa por nós. Que saibamos desfrutar de verdade do sentido da alegria, da felicidade, do amor. Pois no fringir dos ovos, o que a gente leva da vida é a vida que a gente leva...
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
O pós
Quando nos deparamos por alguma coisa muito importante, complicada, desejada tentamos, desejamos, arquitetamos, respondemos, brigamos, lutamos, aceitamos e muitas vezes perdemos.
E lidar com isso não é fácil.
Mas muitas vezes, graças a Deus, recebemos a graça... Passamos por algo tão tumultuado, tão sofrido, tão árduo e as vezes temos a graça de poder receber o presente que tanto queríamos. E quando a gente recebe é estranho. Depois de tudo? Como que se age "de boa", tranquila, coerente com aquela situação de presente ganho?
Se age com cuidado, afinal era o presente que mais se queria. Se age com admiração, afinal você pensa: agora é pra valer! Vai ser! Se age desconfiada, afinal você pensa: será que agora vai?
É tudo estranho porque se faz muitas projeções de como seria a coisa ganha. E quando acontece ela é simples. Mais simples do que se pensava. Mais tranquila. E se adaptar com a coisa tranquila depois de tanta guerra é no mínimo diferente.
Mas no fundo, se sente paz.
Se sente uma certa desconfiança: era isso então?
Mas se sente uma certeza que pode dar certo.
Porque durante todo o tempo do "quase", do "será" você viveu aquilo. Você sentiu e quis aquilo. E mais feliz ainda é quando você percebe que aquilo tanto que você queria era realmente bom. Era como se esperava. Era como costumava ser enquanto não era. Trazia alegrias simples, trazia contentamento, trazia paz. Paz. Quando se está com aquilo, aquele, aquela que te traz paz, risos, confiança, harmonia, não se pode desejar mais nada.
Enfim então o que você rezou, sempre pediu, sempre quis, está nas mãos para ser cuidado, preservado, alimentado.
Pra sempre, espera-se que sim.
Eterno enquanto dure. Que dure sempre.
Estranho começar a agir com atitude de quem agora é ou tem. Não tem regras. Basta ser simples, coerente, autêntico. Acho que recebemos aquilo que queremos porque aquele que vem nos gosta como somos e vice-versa. Não precisa mudar. Só se melhora. Não se muda. E assim é. E assim vai... E assim o complexo pode ser simples e delicioso... E trazer paz...
Tudo que eu mais queria... Paz!
Sentir, dar e receber amor... Belas novidades. Sempre bem vindas...
E lidar com isso não é fácil.
Mas muitas vezes, graças a Deus, recebemos a graça... Passamos por algo tão tumultuado, tão sofrido, tão árduo e as vezes temos a graça de poder receber o presente que tanto queríamos. E quando a gente recebe é estranho. Depois de tudo? Como que se age "de boa", tranquila, coerente com aquela situação de presente ganho?
Se age com cuidado, afinal era o presente que mais se queria. Se age com admiração, afinal você pensa: agora é pra valer! Vai ser! Se age desconfiada, afinal você pensa: será que agora vai?
É tudo estranho porque se faz muitas projeções de como seria a coisa ganha. E quando acontece ela é simples. Mais simples do que se pensava. Mais tranquila. E se adaptar com a coisa tranquila depois de tanta guerra é no mínimo diferente.
Mas no fundo, se sente paz.
Se sente uma certa desconfiança: era isso então?
Mas se sente uma certeza que pode dar certo.
Porque durante todo o tempo do "quase", do "será" você viveu aquilo. Você sentiu e quis aquilo. E mais feliz ainda é quando você percebe que aquilo tanto que você queria era realmente bom. Era como se esperava. Era como costumava ser enquanto não era. Trazia alegrias simples, trazia contentamento, trazia paz. Paz. Quando se está com aquilo, aquele, aquela que te traz paz, risos, confiança, harmonia, não se pode desejar mais nada.
Enfim então o que você rezou, sempre pediu, sempre quis, está nas mãos para ser cuidado, preservado, alimentado.
Pra sempre, espera-se que sim.
Eterno enquanto dure. Que dure sempre.
Estranho começar a agir com atitude de quem agora é ou tem. Não tem regras. Basta ser simples, coerente, autêntico. Acho que recebemos aquilo que queremos porque aquele que vem nos gosta como somos e vice-versa. Não precisa mudar. Só se melhora. Não se muda. E assim é. E assim vai... E assim o complexo pode ser simples e delicioso... E trazer paz...
Tudo que eu mais queria... Paz!
Sentir, dar e receber amor... Belas novidades. Sempre bem vindas...
domingo, 10 de novembro de 2013
Voando
Quando lembrei de olhar meu blog, percebi que há mais de um mês não apareço por aqui.
Mas como assim passou tanto tempo?
Quem autorizou 2013 passar voando assim?
Eu não vi os meses se passando e não me lembro onde eu estava na Pascoa, Dia do Trabalho, Meu aniversário, 09 de julho. Isso é louco. Estranho. E já é novembro.
E tanta coisa aconteceu e mudou neste ano. E ao mesmo tempo um ano onde tudo pareceu se arrastar.
Medo... Estranho olhar e ver que daqui uns dias já é Natal. E ano novo. E existem coisas ainda pra se resolverem... Coisas que sempre deixamos pra trás.
Será que deixar coisas sem resolver é a fuga que buscamos para manter o comodismo que julgamos saudável ter?
Acredito que sim. Neste ano de mudanças tão grandes pra mim, descobri que morro de medo de mudanças. Morro de medo de partidas. Morro de medo de despedidas. Morro de medo de começar de novo.
Hoje o tempo foi bondoso comigo. No mesmo dia pude ver todas as pessoas que são importantes pra mim. Fazer as coisas que me agradam, cuidar de mim. Descansar.
Dar e receber carinho. Cozinhar. Escrever. Comprar. Ouvir música. Arrumar a casa. Pensar em viagem. Pensar na vida. A toa.
Não sei, mas estava sentindo falta de mim.
Acho que quando estou mais comigo acabo conseguindo pensar mais nas coisas. Nas escolhas que faço. Penso mais no que está errado. No que pode ser certo. No que é. No que não é. No que não vai ser.
E aí, agora que já escrevi e divaguei sobre tudo, lembrei que eu queria falar sobre o absurdo da morte do menino Joaquim, de Ribeirão Preto. E aí lembrei que não ando conseguindo mais pensar em coisas ruins.
E será que tá certo isso? Empurrar pra depois as coisas que a gente devia resolver já?
Mas como assim passou tanto tempo?
Quem autorizou 2013 passar voando assim?
Eu não vi os meses se passando e não me lembro onde eu estava na Pascoa, Dia do Trabalho, Meu aniversário, 09 de julho. Isso é louco. Estranho. E já é novembro.
E tanta coisa aconteceu e mudou neste ano. E ao mesmo tempo um ano onde tudo pareceu se arrastar.
Medo... Estranho olhar e ver que daqui uns dias já é Natal. E ano novo. E existem coisas ainda pra se resolverem... Coisas que sempre deixamos pra trás.
Será que deixar coisas sem resolver é a fuga que buscamos para manter o comodismo que julgamos saudável ter?
Acredito que sim. Neste ano de mudanças tão grandes pra mim, descobri que morro de medo de mudanças. Morro de medo de partidas. Morro de medo de despedidas. Morro de medo de começar de novo.
Hoje o tempo foi bondoso comigo. No mesmo dia pude ver todas as pessoas que são importantes pra mim. Fazer as coisas que me agradam, cuidar de mim. Descansar.
Dar e receber carinho. Cozinhar. Escrever. Comprar. Ouvir música. Arrumar a casa. Pensar em viagem. Pensar na vida. A toa.
Não sei, mas estava sentindo falta de mim.
Acho que quando estou mais comigo acabo conseguindo pensar mais nas coisas. Nas escolhas que faço. Penso mais no que está errado. No que pode ser certo. No que é. No que não é. No que não vai ser.
E aí, agora que já escrevi e divaguei sobre tudo, lembrei que eu queria falar sobre o absurdo da morte do menino Joaquim, de Ribeirão Preto. E aí lembrei que não ando conseguindo mais pensar em coisas ruins.
E será que tá certo isso? Empurrar pra depois as coisas que a gente devia resolver já?
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Livros...
"Havia uma coleção de livros que eu cobiçava: "O tesouro da juventude". Quem tinha "O tesouro da juventude" era a dona Lilisa, aquela que ganhou 250 gramas de açucar. Quando a visitávamos, eu deixava os adultos conversando na sala de visitas e ia ler "O tesouro". Era um tipo de enciclopédia onde se encontrava de tudo. Um bufê de prazeres. Em qualquer página que se abrisse lá se encontrava um assombro. Mas era muito caro. Meu pai não podia. Nunca tive "O tesouro". Como nunca tive nem velocípede nem bicicleta. Até hoje não sei andar de bicicleta. Quem sabe, diz: "É só montar e sair pedalando". Eu sei fazer isso. De qualquer forma, andar de bicicleta para mim é como montar um cavalo bravo. Nunca sei que idéias ela tem, nunca sei o que ela vai fazer comigo. Agora é tarde demais pra aprender. Não posso tomar o risco de quebrar a bacia... Mas se eu encontrar um "O tesouro da juventude" num sebo eu compro, embora tudo o que está lá deva estar ultrapassado. Compro para realizar um desejo infantil. Mas, se encontrar uma bicicleta, eu não compro." (Rubem Alves)
Assim que li este texto, lembrei de mim, pequenininha, indo na casa da vó Diva. Lá tinha uma estantinha de livros que era meu paraíso. Eu largava os adultos na sala, e ia me sentar encostada na estante vendo quais livros eu ia ler.
A vó Diva até separou alguns que eu podia estragar, escrever, desenhar... Mas era uma enciclopédia velha, que ensinava tudo errado, segundo ela. A Barsa eu não podia estragar não. Era pra usar pra trabalho da escola.
Aprendi a gostar de ler com gibis e com os livros lindos e encantados que a vó Inge me dava e com a vó Amália que me ensinou a ler, de tanto que eu enchia a paciência dela pra ler as coisas pra mim... Minhas avós tem toda a culpa de eu ser apaixonada por livros...
Mas voltando à estante da Vó Diva, eu me deliciava mesmo era nos livros de história.
Chorei como louca no "Meu pé de laranja lima", do José Mauro de Vasconcelos. Aliás, nunca entendi porquê ninguém conhecia muito este autor. Tão bom... "Coração de Vidro", "O palácio Japonês", "Rosinha, minha canoa"... Tão lindos...
E tinha a coleção Ediouro... "Juca Mulato", poesias de Manuel Bandeira... Eu gostava mesmo era do livro de poesias do Guilherme de Almeida... Cheguei a decorar:
E "A Moreninha"? Meu primeiro romance... Ai que delícia ler aquele livro. Que dor que me dá saber que nunca mais vou ler este livro com tanta ansiedade e sem saber o final... Aquela sensação que senti da primeira vez que li foi a coisa mais linda que me lembro da época de leitura. Parecida com a que senti quando li "Senhora", do meu adorado José de Alencar. E a coleção do Machado de Assis? Era meu sonho. Acabei ganhando a coleção do Jorge Amado, quando a vó diva morreu. Mas eu não gosto de Jorge Amado. Só guardo por que era da vó.
A maioria dos livros eu lia ali, sentadinha no chão mesmo. Quando cresci um pouquinho a vó Diva deixava eu levar pra casa. Um de cada vez, pra eu não perder. Era tipo uma biblioteca.
O que eu sempre quis e nunca pude ter era a coleção inteira do Monteiro Lobato. Era muito cara. Minha mãe não podia me dar. Mas a vó Amália resolveu rapidinho: me ensinou o caminho do paraíso: Biblioteca!
Eu passava toda semana na biblioteca, pegar alguns livrinhos novos pra semana. Nunca concordei com o prazo de dez dias, e com a quantidade: 3 de cada vez? Nãaaaaooo!
Eu achava tanto livro que queria ler. 3 era muito pouco!
Entre idas e vindas, lá descobri o Marcos Rey. Que animal era ler: "O rapto do garoto de ouro", "Um cadáver ouve rádio", "O Mistério do Cinco Estrelas", "Enigma na televisão", "Um rosto no computador", "O diabo no porta-malas"...
Eu poderia ficar falando dos livros da juventude o dia inteiro. Que delícia!
E vocês do que lembram mais de terem lido e gostado quando eram crianças?
Assim que li este texto, lembrei de mim, pequenininha, indo na casa da vó Diva. Lá tinha uma estantinha de livros que era meu paraíso. Eu largava os adultos na sala, e ia me sentar encostada na estante vendo quais livros eu ia ler.
A vó Diva até separou alguns que eu podia estragar, escrever, desenhar... Mas era uma enciclopédia velha, que ensinava tudo errado, segundo ela. A Barsa eu não podia estragar não. Era pra usar pra trabalho da escola.
Aprendi a gostar de ler com gibis e com os livros lindos e encantados que a vó Inge me dava e com a vó Amália que me ensinou a ler, de tanto que eu enchia a paciência dela pra ler as coisas pra mim... Minhas avós tem toda a culpa de eu ser apaixonada por livros...
Mas voltando à estante da Vó Diva, eu me deliciava mesmo era nos livros de história.
Chorei como louca no "Meu pé de laranja lima", do José Mauro de Vasconcelos. Aliás, nunca entendi porquê ninguém conhecia muito este autor. Tão bom... "Coração de Vidro", "O palácio Japonês", "Rosinha, minha canoa"... Tão lindos...
E tinha a coleção Ediouro... "Juca Mulato", poesias de Manuel Bandeira... Eu gostava mesmo era do livro de poesias do Guilherme de Almeida... Cheguei a decorar:
E "A Moreninha"? Meu primeiro romance... Ai que delícia ler aquele livro. Que dor que me dá saber que nunca mais vou ler este livro com tanta ansiedade e sem saber o final... Aquela sensação que senti da primeira vez que li foi a coisa mais linda que me lembro da época de leitura. Parecida com a que senti quando li "Senhora", do meu adorado José de Alencar. E a coleção do Machado de Assis? Era meu sonho. Acabei ganhando a coleção do Jorge Amado, quando a vó diva morreu. Mas eu não gosto de Jorge Amado. Só guardo por que era da vó.
A maioria dos livros eu lia ali, sentadinha no chão mesmo. Quando cresci um pouquinho a vó Diva deixava eu levar pra casa. Um de cada vez, pra eu não perder. Era tipo uma biblioteca.
O que eu sempre quis e nunca pude ter era a coleção inteira do Monteiro Lobato. Era muito cara. Minha mãe não podia me dar. Mas a vó Amália resolveu rapidinho: me ensinou o caminho do paraíso: Biblioteca!
Eu passava toda semana na biblioteca, pegar alguns livrinhos novos pra semana. Nunca concordei com o prazo de dez dias, e com a quantidade: 3 de cada vez? Nãaaaaooo!
Eu achava tanto livro que queria ler. 3 era muito pouco!
Entre idas e vindas, lá descobri o Marcos Rey. Que animal era ler: "O rapto do garoto de ouro", "Um cadáver ouve rádio", "O Mistério do Cinco Estrelas", "Enigma na televisão", "Um rosto no computador", "O diabo no porta-malas"...
Eu poderia ficar falando dos livros da juventude o dia inteiro. Que delícia!
E vocês do que lembram mais de terem lido e gostado quando eram crianças?
domingo, 15 de setembro de 2013
Longe
Longe...
Quando você fica mais longe de tudo, você muda o seu ângulo de visão de tudo.
Quando este distanciamento é involuntário, você reflete também o que isso pode trazer de crescimento ou simplesmente de acréscimo pra sua vida.
E traz.
Se você consegue aproveitar esta situação ou ao menos se dispor a aprender com ela, sem se preocupar em entender tantos porquês: de estar longe, de ter que ir, de querer voltar, de precisar voltar, de não poder voltar... Se você apenas se der a oportunidade de abstrair de tudo e tentar se render ao que ficou diante de você, quem sabe esta situação pode te surpreender:
“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.” (Clarice Lispector)
Ficar sozinho, conversar consigo mesmo. Ser sua melhor companhia. Se irritar consigo mesmo. Sentir saudade. Querer estar perto daquilo que é o que se entende seu. Ter medo da distância. Ter medo de possíveis mudanças. Ter medo de que o tempo longe mude o que era antes, quando você enfim retorna ao que era seu.
E o que era seu realmente? Como saber se o que você deixa por alguns momentos, e pensa que é seu, é de fato seu? Sempre que penso nisso lembro dessa frase:
"Amo a liberdade, por isso as coisas que amo deixo-as livres. Se voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as tive." (Bob Marley)
E é a pura verdade. Adiantaria cuidar de perto da menina dos seus olhos, se ela estivesse destinada a ser a menina dos olhos de outra pessoa? Adiantaria não se ausentar do seu posto por medo de perder espaço, se o seu posto não fosse efetivamente e seu e se a você estivesse algum posto muito melhor a espera?
As pessoas pensam que podem controlar as coisas. Podem induzir acontecimentos, prever futuros. E isso é ilusão. Podem ao máximo lutar pelo que querem, demonstrarem real interesse, cuidar perto ou longe. Mas o que de fato tem que ser acontece, querendo ou não.
E lidar com isso é o grande desafio da vida. Saber aceitar perdas, saber lidar com derrotas. Saber se adaptar com mudanças repentinas, ou com coisas que acontecem diferentes do que tínhamos pensado.
É a transitoriedade das coisas.
“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” (Fernando Teixeira de Andrade)
As travessias nos trazem surpresas. Podemos transitar por distâncias muito longas e chegarmos de volta ao mesmo lugar. O retorno pode ser ao mesmo lugar, mas com boas diferenças. Ou péssimas mudanças. O retorno pode trazer a dádiva do reconhecimento: as vezes, só damos valor às coisas quando ficamos sem elas... e a chance de recuperar algo perdido pode dar outro sentimento e ação ao que importa, no momento da volta.
O retorno pode também não acontecer. Pode ser que se vá à direção oposta. Ao novo. Ao que nunca se viu. Ao que se viu e não se queria. As coisas normalmente saem do controle.
Coragem mesmo é gostar de mudanças: "As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem." (Chico Buarque)
Saber conviver já pode ser um começo. Mas, confesso: Voltar pro que tanto se gosta é uma das coisas mais deliciosas do mundo.
Bom fim de semana pra todos
Quando você fica mais longe de tudo, você muda o seu ângulo de visão de tudo.
Quando este distanciamento é involuntário, você reflete também o que isso pode trazer de crescimento ou simplesmente de acréscimo pra sua vida.
E traz.
Se você consegue aproveitar esta situação ou ao menos se dispor a aprender com ela, sem se preocupar em entender tantos porquês: de estar longe, de ter que ir, de querer voltar, de precisar voltar, de não poder voltar... Se você apenas se der a oportunidade de abstrair de tudo e tentar se render ao que ficou diante de você, quem sabe esta situação pode te surpreender:
“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.” (Clarice Lispector)
Ficar sozinho, conversar consigo mesmo. Ser sua melhor companhia. Se irritar consigo mesmo. Sentir saudade. Querer estar perto daquilo que é o que se entende seu. Ter medo da distância. Ter medo de possíveis mudanças. Ter medo de que o tempo longe mude o que era antes, quando você enfim retorna ao que era seu.
E o que era seu realmente? Como saber se o que você deixa por alguns momentos, e pensa que é seu, é de fato seu? Sempre que penso nisso lembro dessa frase:
"Amo a liberdade, por isso as coisas que amo deixo-as livres. Se voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as tive." (Bob Marley)
E é a pura verdade. Adiantaria cuidar de perto da menina dos seus olhos, se ela estivesse destinada a ser a menina dos olhos de outra pessoa? Adiantaria não se ausentar do seu posto por medo de perder espaço, se o seu posto não fosse efetivamente e seu e se a você estivesse algum posto muito melhor a espera?
As pessoas pensam que podem controlar as coisas. Podem induzir acontecimentos, prever futuros. E isso é ilusão. Podem ao máximo lutar pelo que querem, demonstrarem real interesse, cuidar perto ou longe. Mas o que de fato tem que ser acontece, querendo ou não.
E lidar com isso é o grande desafio da vida. Saber aceitar perdas, saber lidar com derrotas. Saber se adaptar com mudanças repentinas, ou com coisas que acontecem diferentes do que tínhamos pensado.
É a transitoriedade das coisas.
“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” (Fernando Teixeira de Andrade)
As travessias nos trazem surpresas. Podemos transitar por distâncias muito longas e chegarmos de volta ao mesmo lugar. O retorno pode ser ao mesmo lugar, mas com boas diferenças. Ou péssimas mudanças. O retorno pode trazer a dádiva do reconhecimento: as vezes, só damos valor às coisas quando ficamos sem elas... e a chance de recuperar algo perdido pode dar outro sentimento e ação ao que importa, no momento da volta.
O retorno pode também não acontecer. Pode ser que se vá à direção oposta. Ao novo. Ao que nunca se viu. Ao que se viu e não se queria. As coisas normalmente saem do controle.
Coragem mesmo é gostar de mudanças: "As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem." (Chico Buarque)
Saber conviver já pode ser um começo. Mas, confesso: Voltar pro que tanto se gosta é uma das coisas mais deliciosas do mundo.
Bom fim de semana pra todos
Assinar:
Postagens (Atom)

